A possibilidade de um eventual plano econômico do senador e pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro(PL-RJ) seguir diretrizes associadas ao ex-ministro Paulo Guedes já movimenta discussões nos bastidores políticos e econômicos.A reportagem conversou com o economista Felippe Serigati, da FGV Agro, temas como responsabilidade fiscal, abertura comercial e revisão de gastos públicos que devem dominar o debate eleitoral de 2026.
Serigati afirmou que não é possível cravar quais medidas concretas estariam embutidas na comparação feita por aliados do governo entre Flávio Bolsonaro e a gestão econômica anterior. Ainda assim, ele citou que pautas como teto de gastos, privatizações, reforma administrativa e abertura de mercado costumam ser vinculadas ao modelo liberal defendido entre 2019 e 2022. Segundo o especialista, essas propostas costumam se contrapor ao pensamento histórico do Partido dos Trabalhadores.
O que pode ser herdado da agenda de Paulo Guedes
Durante o governo anterior, Paulo Guedes defendeu medidas voltadas ao controle de despesas públicas, redução do tamanho do Estado e estímulo à iniciativa privada. Para Serigati, parte dessa agenda segue relevante para o país.
Ele pondera, no entanto, que o período entre 2019 e 2022 foi marcado por crises externas severas, o que dificulta medir com precisão o resultado das políticas adotadas.
Entre os fatores citados estão:
- pandemia de Covid-19;
- guerra entre Rússia e Ucrânia;
- inflação global;alta internacional dos juros;
- impactos da peste suína africana na China;
- quebra de safra causada pela La Niña em 2021.
Na avaliação do economista, sem esses choques, os resultados poderiam ter sido melhores.
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Para Serigati, o principal tema econômico da próxima disputa presidencial tende a ser o equilíbrio das contas públicas. Ele afirma que houve forte expansão de gastos sociais nos últimos anos, mas vê necessidade de revisão dos critérios de focalização. Segundo ele, programas públicos precisam alcançar prioritariamente a população em situação de maior vulnerabilidade e reduzir desperdícios.
O economista também considera urgente que o país sinalize compromisso maior com responsabilidade fiscal, diante do avanço das despesas obrigatórias e da pressão sobre o orçamento.
Soberania nacional e economia liberal são incompatíveis?
O governo Luiz Inácio Lula da Silva tem usado com frequência o discurso de soberania nacional, especialmente em temas ligados à indústria, minerais estratégicos e tecnologia. Veja um exemplo de peça publicitária usada pelo governo:
Para Serigati, porém, não existe contradição automática entre soberania e políticas liberais.
Na avaliação dele, uma economia mais aberta pode ampliar produtividade, renda e competitividade, sem que isso represente perda de autonomia nacional.
Conceito de soberania segue em disputa
No debate político atual, soberania econômica costuma aparecer ligada a diferentes ideias, como:
- autonomia fiscal;
- independência energética;
- reindustrialização;
- controle de recursos naturais;
- capacidade tecnológica.
Serigati afirma que parte dessas discussões ainda mistura conceitos distintos e carece de maior clareza técnica.
Palavras-chavedistintos e carece de maior clareza técnica.





