Documentos internos do Banco Master revelam que Daniel Vorcaro e familiares realizaram manobras financeiras para tentar encobrir um rombo de R$ 776,9 milhões. O valor teria sido desviado para uma rede de fundos e empresas ligadas à família do ex-banqueiro pouco antes da liquidação da instituição. De acordo com a liquidante, Daniel Vorcaro teria utilizado os recursos para financiar bens de luxo, incluindo mansões no exterior e aeronaves particulares. A suspeita é que as operações buscavam dificultar o rastreio do patrimônio em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal. A suspeita das autoridades brasileiras é que os recursos foram retirados do Master para uso estritamente particular. Entre as aquisições investigadas estão propriedades de cinema e jatinhos, em um esquema que visava ocultar o real patrimônio da família. Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e sua irmã, Natália Vorcaro, já sofreram bloqueios em uma ação movida pela liquidante da instituição. O objetivo do processo é garantir o ressarcimento de credores e evitar o esvaziamento de bens. Entre as suspeitas está o desvio de recursos para a compra de uma mansão avaliada em Windermere, na Flórida.
A teia de fundos e recebíveis podres de Daniel Vorcaro
O suposto esquema teria começado por meio de um fundo de investimento chamado City, vinculado ao banco. Este fundo adquiriu títulos de mercado, conhecidos como “recebíveis”, de empresas pertencentes à própria família de Daniel Vorcaro.
A mansão de luxo em Windermere ligada à família Vorcaro
Na prática, o fundo antecipou R$ 419,9 milhões para as empresas familiares em 2022. No entanto, a liquidante aponta que esses títulos eram “podres”, ou seja, não possuíam lastro real nem chances de serem pagos. O rombo tornou-se público em 2025, quando o fundo registrou uma perda patrimonial superior a 60% em um único mês. Para evitar que o prejuízo bilionário fosse detectado publicamente, uma nova operação teria sido montada em julho de 2025. O fundo City vendeu o pacote de dívidas da família para uma empresa chamada Navarra S.A. por R$ 776,9 milhões.
Entretanto, as investigações identificaram que a Navarra era controlada pelo próprio Daniel Vorcaro através de outros fundos, como o Astralo 95. A operação teria servido apenas para “limpar” a contabilidade do banco e do fundo City. Pouco depois, o valor das cotas do fundo caiu 99,98%, reduzindo o investimento de terceiros a quase zero.
As apurações da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF) vão além das fraudes financeiras. O fundo Astralo teria financiado um imóvel de R$ 36 milhões em Brasília e um jatinho de R$ 538 milhões.
Há indícios de que parte do dinheiro foi utilizada para pagar propinas a fiscais do Banco Central, garantindo que as operações não fossem fiscalizadas. O esquema contava ainda com o núcleo “A Turma”, uma milícia privada que utilizava violência física contra jornalistas que tentavam expor as irregularidades da gestão de Daniel Vorcaro.
Daniel Vorcaro e os investimentos polêmicos
Posicionamento da defesa
Em nota, a defesa de Henrique e Natália Vorcaro negou qualquer prática ilícita. Os advogados afirmam que as suspeitas são “distorções da realidade” e que os negócios citados foram lucrativos para o banco. O texto diz ainda que a família desconhece os fundos mencionados e que apresentará as explicações devidas ao Poder Judiciário. Os advogados de Daniel Vorcaro optaram por não comentar as acusações.
Palavras-chavenão comentar as acusações.





