O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, negou nesta sexta-feira (6) o pedido de quatro senadores que buscavam afastar o ministro Kassio Nunes Marques da relatoria do processo sobre a CPI do Banco Master. A decisão foi tomada após os parlamentares questionarem a imparcialidade do magistrado devido à sua relação de amizade com o senador Ciro Nogueira (PP), um dos investigados no caso.
Fachin, no entanto, barrou a ação por um motivo estritamente técnico: o fim do prazo. Segundo o Regimento Interno do STF, os senadores tinham até cinco dias após a distribuição do processo para pedir a suspeição do relator.
Como o caso foi sorteado para Nunes Marques em 26 de março de 2026, o prazo final era 31 de março. O pedido dos parlamentares só foi protocolado em 12 de maio, mais de um mês após o limite legal. Com isso, Fachin considerou a iniciativa “incabível”.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, negou o pedido de senadores para afastar Kassio Nunes Marques da relatoria da CPI do Banco Master por perda de prazo
O elo entre Nunes Marques e Ciro Nogueira
O pedido de afastamento foi assinado pelos senadores Eduardo Girão (Novo), Alessandro Vieira (MDB), Marcos Pontes (PL) e Plínio Valério (PSDB). Eles argumentavam que Nunes Marques não teria a isenção necessária para julgar o caso por conta de sua proximidade histórica com Ciro Nogueira.
Ambos são do Piauí e possuem uma longa trajetória de aliança no meio político e jurídico. Em 2020, Nogueira foi o principal articulador da indicação de Nunes Marques ao STF pelo então presidente Jair Bolsonaro, trabalhando ativamente nos bastidores do Senado para garantir sua aprovação.
Atualmente, Ciro Nogueira é um dos alvos da 5ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura uma fraude financeira liderada por Daniel Vorcaro e suspeita que o senador tenha usado seu mandato parlamentar para defender os interesses do Banco Master dentro do Congresso.
O senador Ciro Nogueira é um dos alvos da 5ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga fraudes na instituição financeira | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Por que a CPI do Banco Master está travada no Senado?
A criação da CPI do Banco Master é uma novela que se arrasta no Congresso desde novembro do ano passado, quando o requerimento foi protocolado. O avanço da comissão, contudo, esbarra na forte resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).

O ministro Kassio Nunes Marques foi escolhido por sorteio para relatar o mandado de segurança que pede a abertura da CPI do Banco Master no Senado
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, negou nesta sexta-feira (6) o pedido de quatro senadores que buscavam afastar o ministro Kassio Nunes Marques da relatoria do processo sobre a CPI do Banco Master.
Alcolumbre tem se recusado a ler o requerimento em plenário, passo obrigatório para que a CPI seja oficialmente instalada. Recentemente, o presidente da Casa subiu o tom contra a investigação, afirmando que a comissão serviria apenas como “palanque eleitoral”.
Diante desse bloqueio político no Senado, a oposição recorreu ao STF por meio de um mandado de segurança para forçar a abertura da CPI. Com a decisão de Fachin de manter Nunes Marques na relatoria, cabe agora ao ministro sorteado decidir o futuro da investigação sobre o escândalo financeiro.
sobre o escândalo financeiro





