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Morgan Stanley alerta para risco tarifário: ‘O perigo está na escalada e na reciprocidade’ Economia

Morgan Stanley alerta para risco tarifário: ‘O perigo está na escalada e na reciprocidade’

09-06-2026 há 4 horas

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Durante o Seminário Econômico Lide EUA-Brasil, realizado na Casa Lide em São Paulo na manhã desta terça-feira (9), as dinâmicas globais e seus reflexos diretos no mercado doméstico deram o tom do debate. Ana Madeira, economista-chefe do Morgan Stanley, traçou um panorama abrangente, evidenciando uma assimetria clara entre os principais canais de transmissão da atual política econômica global e seus impactos nas decisões de alocação de capital.

A resiliência americana continua sendo o principal vetor externo. Madeira pontuou que os EUA vivem um ciclo sustentado pelo forte investimento (Capex) em inteligência artificial, que compensa a desaceleração do consumo privado.

Com a inflação cedendo a passos lentos, o Morgan Stanley antevê um Federal Reserve (Fed) bastante cauteloso, mantendo os juros paralisados este ano e iniciando um ciclo de cortes moderados apenas em 2027. 

No entanto, o sinal de alerta acendeu ao abordar o comércio exterior. A economista destacou os riscos de uma potencial taxa de 25% imposta pelos EUA ao Brasil e a possibilidade de uma retaliação brasileira às políticas tarifárias de um eventual novo governo Trump.

Para Madeira, o maior perigo para o Brasil não reside no percentual em si, mas na “escalada e na reciprocidade”. Essa guerra comercial afeta duramente cadeias produtivas específicas, travando a decisão de novos capitais. Apesar do estresse comercial de curto prazo, ela fez questão de ressaltar que a relação diplomática e econômica entre Brasil e EUA é sólida e transcende essa discussão.

Em casa, o Brasil sofre com a reprecificação estrutural de seus ativos. Se no início do ano o país era atrativo aos estrangeiros, o temor em relação à sustentabilidade fiscal minou esse apetite recente. Apesar do cenário desafiador e dos juros altos no exterior, as projeções internas não são de paralisia: o banco estima que o investimento no Brasil alcançará a marca de 3,2%. 

Para garantir e ampliar essa cifra em meio às tensões com os EUA, abrir rotas alternativas torna-se imperativo. A economista enfatizou que a concretização do acordo entre Mercosul/Brasil e União Europeia será fundamental para o futuro da economia nacional. A tese central de Madeira é que o país precisa voltar seu foco para proteger e atrair mais Investimento Estrangeiro Direto (IED).

A receita para não ficar de fora da rota global dos capitais é inegociável: o Brasil precisa apresentar uma agenda regulatória robusta, alicerçada na previsibilidade e na estabilidade macroeconômica.

Palavras-chave
e na estabilidade macroeconômica.



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