Durante o Seminário Econômico Lide EUA-Brasil, realizado na Casa Lide em São Paulo na manhã desta terça-feira (9), as dinâmicas globais e seus reflexos diretos no mercado doméstico deram o tom do debate. Ana Madeira, economista-chefe do Morgan Stanley, traçou um panorama abrangente, evidenciando uma assimetria clara entre os principais canais de transmissão da atual política econômica global e seus impactos nas decisões de alocação de capital.
A resiliência americana continua sendo o principal vetor externo. Madeira pontuou que os EUA vivem um ciclo sustentado pelo forte investimento (Capex) em inteligência artificial, que compensa a desaceleração do consumo privado.
Com a inflação cedendo a passos lentos, o Morgan Stanley antevê um Federal Reserve (Fed) bastante cauteloso, mantendo os juros paralisados este ano e iniciando um ciclo de cortes moderados apenas em 2027.
No entanto, o sinal de alerta acendeu ao abordar o comércio exterior. A economista destacou os riscos de uma potencial taxa de 25% imposta pelos EUA ao Brasil e a possibilidade de uma retaliação brasileira às políticas tarifárias de um eventual novo governo Trump.
Para Madeira, o maior perigo para o Brasil não reside no percentual em si, mas na “escalada e na reciprocidade”. Essa guerra comercial afeta duramente cadeias produtivas específicas, travando a decisão de novos capitais. Apesar do estresse comercial de curto prazo, ela fez questão de ressaltar que a relação diplomática e econômica entre Brasil e EUA é sólida e transcende essa discussão.
Em casa, o Brasil sofre com a reprecificação estrutural de seus ativos. Se no início do ano o país era atrativo aos estrangeiros, o temor em relação à sustentabilidade fiscal minou esse apetite recente. Apesar do cenário desafiador e dos juros altos no exterior, as projeções internas não são de paralisia: o banco estima que o investimento no Brasil alcançará a marca de 3,2%.
Para garantir e ampliar essa cifra em meio às tensões com os EUA, abrir rotas alternativas torna-se imperativo. A economista enfatizou que a concretização do acordo entre Mercosul/Brasil e União Europeia será fundamental para o futuro da economia nacional. A tese central de Madeira é que o país precisa voltar seu foco para proteger e atrair mais Investimento Estrangeiro Direto (IED).
A receita para não ficar de fora da rota global dos capitais é inegociável: o Brasil precisa apresentar uma agenda regulatória robusta, alicerçada na previsibilidade e na estabilidade macroeconômica.
Palavras-chavee na estabilidade macroeconômica.





