Santa Catarina historicamente não recebe do Governo Federal a atenção que merece. O Estado produz, empreende, exporta, gera empregos, arrecada e envia bilhões em impostos para Brasília. Em contrapartida, o retorno em infraestrutura, especialmente nas rodovias federais, segue muito abaixo das necessidades catarinenses. Ao longo dos anos, Santa Catarina aprendeu a resolver muitos dos seus problemas com esforço próprio. O setor produtivo avançou, os municípios cresceram, a economia se diversificou e o Estado consolidou uma das estruturas econômicas mais fortes do país. Porém, existem áreas em que Santa Catarina não pode agir sozinha, porque a responsabilidade legal é da União. As rodovias federais são um dos exemplos mais evidentes.
Dados mostram que rodovias federais em SC tem apenas 0,53% dos trechos considerados ótimos
Dados do Observatório da Fetrancesc mostram um quadro preocupante nas BRs catarinenses. No levantamento, apenas 0,53% dos trechos avaliados foram classificados como ótimos, 5,51% como bons e 12,06% como regulares. Em contrapartida, 36,32% aparecem como ruins e 45,58% como péssimos. Ou seja, mais de 80% dos trechos avaliados estão em situação ruim ou péssima. O estudo considera as BRs 153, 158, 163, 280, 282, 285, 470 e 480. Ficaram fora do levantamento as BRs 101 e 116, administradas pela concessionária Arteris Planalto Sul. Ainda assim, o diagnóstico é grave e revela uma realidade que impacta diretamente a logística, a segurança viária e o desenvolvimento econômico de Santa Catarina. Rodovias em más condições aumentam o custo do transporte, reduzem a competitividade das empresas catarinenses, elevam o risco de acidentes e dificultam o deslocamento diário de milhares de pessoas. Para um Estado cuja economia depende fortemente da indústria, do agronegócio, dos portos, da exportação e da circulação eficiente de mercadorias, uma malha rodoviária adequada deixa de ser apenas uma questão de infraestrutura. É fator estratégico de desenvolvimento.

O problema não atinge apenas caminhoneiros e empresas de transporte. Afeta o trabalhador que se desloca todos os dias, o agricultor que precisa escoar sua produção, a indústria que depende de prazos, o comércio que recebe mercadorias, o turismo que precisa de acesso seguro e as famílias que trafegam pelas rodovias catarinenses.
O descaso federal com Santa Catarina não pode ser tratado como normal. O Estado faz a sua parte, contribui com a arrecadação nacional e sustenta uma economia dinâmica. O mínimo que se espera é tratamento equânime na aplicação dos recursos públicos e respeito às necessidades de uma região que tanto entrega ao país.
Com muito esforço, Santa Catarina tem resolvido os problemas que dependem de sua própria capacidade de gestão. Mas aquilo que é responsabilidade do Governo Federal precisa ser assumido pelo Governo Federal. Não se trata de favor, nem de privilégio. Trata-se de obrigação.
A pergunta que fica é simples e necessária: até quando Santa Catarina terá que esperar para receber um tratamento justo? O Estado não pede mais do que merece. Pede apenas que Brasília devolva, em obras, segurança e infraestrutura, parte daquilo que Santa Catarina entrega todos os anos ao Brasil.
entrega todos os anos ao Brasil.





