A Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, no Sul de Santa Catarina, voltará a receber veículos a partir deste domingo (19), após nove dias de interdição total na BR-101. A liberação, no entanto, será parcial: apenas uma faixa de rolamento em cada sentido estará aberta no trecho estaiado da estrutura. A previsão é de que essa configuração permaneça entre 30 e 60 dias, período em que a CCR ViaCosteira seguirá realizando estudos e intervenções na ponte.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (17), durante entrevista coletiva concedida pelo diretor da concessionária, Fernando de Marchi. Segundo ele, a decisão foi tomada após a conclusão das inspeções e análises técnicas realizadas desde a interdição, determinada após a identificação de filamentos rompidos em uma das cordoalhas da estrutura.

“Os engenheiros entenderam que, neste momento, não há problema em liberar o tráfego parcial sobre a Ponte Anita Garibaldi neste domingo”, afirmou. De acordo com Marchi, a autorização não partiu da concessionária, mas das empresas de engenharia responsáveis pelos laudos técnicos.
Como ficará o trânsito na Ponte Anita Garibaldi
Com a reabertura parcial, os desvios implantados durante a interdição deixarão de ser utilizados e as vias marginais da BR-101 voltarão a operar normalmente. A circulação será permitida para veículos de passeio e caminhões comuns. Apenas cargas especiais, que dependem de autorização específica para trafegar, continuarão proibidas.
Segundo a concessionária, somente o trecho estaiado da ponte permanecerá com restrição de faixas. O restante do complexo da Ponte Anita Garibaldi funcionará normalmente. A expectativa é reduzir significativamente os congestionamentos registrados nos últimos dias. “Somente quando chegar naquele trecho haverá o desvio para uma única faixa. Isso vai contribuir muito para a fluidez do tráfego”, explicou o diretor.
Outros locais da ponte também foram abertos para inspeção
Restrição deve permanecer por até 60 dias
Mesmo com a liberação parcial, as equipes continuarão trabalhando diariamente na estrutura. A previsão é que a operação com apenas uma faixa em cada sentido dure entre 30 e 60 dias. Nesse período, serão executadas novas inspeções, estudos complementares e, caso necessário, novos reforços estruturais. Além disso, será preciso concluir o fechamento das janelas de inspeção abertas no concreto durante as análises e instalar estruturas metálicas para finalizar os serviços na parte inferior da ponte.
“Nós vamos continuar os estudos para saber se vamos reforçar mais a ponte ou não. Queremos deixá-la com 110% de segurança”, afirmou Marchi. Segundo ele, neste momento não está prevista uma nova interdição total da estrutura.
Reforços feitos em 2022 permanecem íntegros
Durante a coletiva, a concessionária apresentou uma linha do tempo das intervenções realizadas na ponte desde que assumiu a concessão da BR-101, em 2020.De acordo com Marchi, em 2022 uma inspeção identificou uma fissura em uma região da ponte. Após investigações, foi constatado o rompimento de dois cabos da base do tabuleiro. Na época, a solução foi executar um reforço estrutural com a instalação de mais de 80 cordoalhas adicionais.
Agora, em 2026, uma nova fissura levou à abertura de janelas de inspeção na estrutura, quando foram encontrados filamentos rompidos em outra cordoalha, em uma região diferente daquela reparada há quatro anos.
Segundo o diretor, todas as inspeções realizadas nos últimos dias confirmaram que o reforço executado em 2022 permanece íntegro. Além do ponto onde foi localizada a nova anomalia, outros locais da ponte também foram abertos para inspeção.
“Abrimos diversos pontos da obra de arte para saber se esse problema era pontual ou se estava se agravando. Todos os demais pontos estavam íntegros, sem problema nenhum”, disse.
Concessionária reiterou que a Ponte Anita Garibaldi continua sendo monitorada permanentemente
Causa do problema ainda é investigada
Apesar da autorização para retomada parcial do tráfego, a concessionária informou que ainda não foi possível determinar exatamente o que provocou a nova patologia identificada na estrutura. Segundo Marchi, não há como afirmar quando os filamentos da cordoalha foram rompidos. “Nós não conseguimos identificar se essa patologia aconteceu em 2018, em 2022 ou em 2025. Ela não apresenta sinais que permitam dizer quando ocorreu”, explicou.
Para o diretor, o problema provavelmente não decorre de uma única causa. “É uma somatória de fatores. Seria muito imprudente afirmar que existe apenas um motivo para o que aconteceu”, afirmou. Mesmo sem essa definição, a concessionária garante que a estrutura permanece segura.
Objetivo é garantir que qualquer anomalia seja corrigida antes que evolua para um problema estrutural
Pedido de documentos ao DNIT
Questionado sobre a informação de que a concessionária solicitou documentos complementares da construção da ponte ao DNIT e à ANTT, Marchi confirmou que o pedido foi feito, mas afirmou que toda a documentação essencial já havia sido entregue quando a CCR assumiu a concessão. Segundo ele, os documentos solicitados agora servem apenas para aprofundar as investigações. “Todos os documentos necessários foram disponibilizados para a concessionária quando assumimos o trecho. O que pedimos agora são documentos complementares para ajudar na investigação”, explicou.
De acordo com o diretor, mesmo que esses registros não sejam localizados, isso não impede a elaboração das soluções de engenharia.
Ponte segue monitorada
A concessionária reiterou que a Ponte Anita Garibaldi continua sendo monitorada permanentemente e que todas as intervenções realizadas desde a interdição têm caráter preventivo.
Segundo Marchi, o objetivo é garantir que qualquer anomalia seja corrigida antes que evolua para um problema estrutural. “A gravidade está quando você identifica um problema e não atua. A concessionária identificou a mínima patologia e atuou imediatamente para impedir que ela evoluísse”, afirmou.

Não há previsão de nova interdição total da ponte
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