Em um dos maiores festivais de dança do mundo, uma bailarina de Florianópolis conquistou o pódio em uma das categorias mais concorridas. Júlia Prestes, de 21 anos, conquistou na sexta-feira (24) o terceiro lugar na categoria de ballet de repertório no Festival de Dança de Joinville. A bailarina foi selecionada no meio de milhares de inscritos do todo o mundo e apresentou a variação da Fada Lilás, do balé A Bela Adormecida, voltando para casa com um troféu e um sentimento de realização. Mais do que subir ao pódio, a participação marcou o retorno da bailarina às competições de variação após três anos afastada. Para ela, a experiência de dançar no tradicional palco do festival já era, por si só, uma conquista.
“Eu só queria sair feliz e satisfeita com o que eu entreguei. O terceiro lugar veio como uma cereja do bolo, como um reconhecimento. Estou muito feliz”, afirma.

Um palco que impressiona até os mais experientes
Acostumada a apresentações desde pequena, Júlia conta que o palco principal do Festival de Dança de Joinville ainda consegue impressionar qualquer bailarino. “É um palco que sinceramente assusta. É gigantesco. Você olha para frente e não consegue enxergar o fim da plateia.” Apesar do nervosismo antes da apresentação, ela diz que entrou em cena com um objetivo muito claro. “Eu queria aproveitar aquele palco e sair feliz com o que tinha entregado. No fim, é isso que importa”, conta. Além da premiação, um dos momentos mais marcantes para a bailarina aconteceu após deixar o palco. Segundo ela, as mensagens recebidas de amigos, antigos colegas e pessoas que acompanhavam sua trajetória foram tão importantes quanto o resultado da competição.
“Recebi mensagens de pessoas que eu não via havia muitos anos. Gente dizendo que se emocionou ao me ver dançando de novo. Foi muito gratificante.”
Para Júlia, o reconhecimento ultrapassa o troféu conquistado. “No fim, consegui expressar alguma coisa por meio da dança. E as pessoas acabaram me tocando ainda mais com todo o carinho que recebi.”

Do início no balé à bolsa de estudos na Alemanha
Natural de Porto Alegre (RS), Júlia começou a dançar aos três anos de idade e nunca deixou o balé clássico. Ainda criança, passou a participar de festivais e competições nacionais e internacionais, acumulando experiências que mudaram os rumos da carreira.

Aos 13 anos, conquistou uma bolsa de estudos para a Staatliche Ballettschule Berlin, uma das mais tradicionais escolas de formação de bailarinos da Alemanha. A oportunidade surgiu por meio das bolsas oferecidas em competições de balé.
Ela se mudou sozinha para Berlim e passou dois anos morando no internato da escola, onde conciliava os estudos convencionais com uma rotina intensa de aulas de dança.
“Era uma escola de balé. Tínhamos aula de balé e depois as matérias da escola. O foco era realmente a formação profissional”, relembra.
Retorno ao Brasil e nova vida em Florianópolis
A experiência internacional foi encerrada em 2020, com o início da pandemia de Covid-19. Ao retornar ao Brasil, Júlia se mudou para Florianópolis com a família.
Na época, ela chegou a questionar se ainda seguiria carreira profissional na dança. Decidiu concluir os estudos e ingressou no curso de Fisioterapia da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), onde está atualmente.
Mesmo com a rotina intensa da graduação em período integral, a dança nunca deixou de fazer parte da sua vida.
A ideia de participar do Festival de Dança de Joinville nasceu no início deste ano, durante uma conversa com as professoras de sua escola de dança Cenarium.
Bailarina ganhou 3º lugar na categoria de Variação Clássica de Repertório Feminino Sênior
Após ser aprovada na seletiva, a bailarina precisou conciliar ensaios intensos com a rotina universitária. “Foi uma correria encaixar os horários da faculdade com os ensaios, mas valeu muito a pena. Foi uma experiência muito especial.” A apresentação escolhida foi a variação da Fada Lilás, personagem do clássico A Bela Adormecida. Embora o terceiro lugar renda apenas o troféu na categoria, Júlia considera o reconhecimento um marco importante.
Trajetória marcada por festivais e premiações
O currículo da bailarina reúne participações em importantes competições nacionais e internacionais.
Ainda jovem, ela disputou o YAGP (Youth America Grand Prix), em Nova York (EUA), considerado um dos maiores concursos de balé do mundo. Embora não tenha conquistado colocação, define a experiência como fundamental para sua formação artística.
Bailarina no YAGP
Há três anos, também foi destaque no FIDPOA (Festival Internacional de Dança de Porto Alegre), onde conquistou o primeiro lugar, recebendo o prêmio de Bailarina Revelação e ganhando diversas bolsas de estudo.
Apesar do resultado expressivo em Joinville, Júlia afirma que não pretende voltar ao circuito competitivo tão cedo. A prioridade agora é concluir a graduação em Fisioterapia, sem deixar a dança de lado.

“Quero continuar dançando onde der. Gosto muito mais da experiência de estar no palco do que da competição em si”, explica.
Enquanto divide o tempo entre os estudos e os ensaios, leva consigo o reconhecimento conquistado em Joinville como um marco de uma trajetória que começou ainda na infância.
Palavras-chaveque começou ainda na infância.





