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O abandono como estratégia: Lula prepara o sacrifício de Moraes Política

O abandono como estratégia: Lula prepara o sacrifício de Moraes

06-09-2026 há 1 dia

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O Supremo abriu o caminho que permitiu a Lula sair da condição de condenado, recuperar os direitos políticos e voltar ao Palácio do Planalto. Essa é uma dívida política e institucional que ninguém apaga da história. Alexandre de Moraes tornou-se uma das figuras centrais desse arranjo de poder — e agora o relógio começa a cobrar o preço dessa relação.

Os próximos trinta dias podem definir se o sistema conseguirá acomodar mais uma crise ou se começará a ruir por dentro. E, diante do risco, Lula ensaia o movimento mais antigo da política: descolar-se de quem ontem lhe era indispensável para tentar sobreviver amanhã.

A relação entre Moraes e o atual arranjo de poder nunca foi casual.

O inquérito das fake news nasceu de forma absolutamente excepcional: instaurado de ofício pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, sem distribuição por sorteio, com Alexandre de Moraes escolhido diretamente para a relatoria. Sete anos depois, permanece vivo, expandido e utilizado em sucessivas frentes.

É o inquérito que ganhou o apelido de “inquérito do fim do mundo”.

Um procedimento em que o Supremo acumula papéis, amplia seu próprio alcance e, sob o argumento de defender as instituições, passa a definir quem investiga, quem é investigado e até onde pode ir a investigação.

As críticas já não vêm apenas de adversários políticos. Ministros, juristas, imprensa e integrantes das próprias instituições passaram a questionar os limites dessa atuação. André Mendonça expôs divergências profundas dentro da Corte. Edson Fachin já sinalizou a necessidade de discutir o encerramento do inquérito.

E Moraes enfrenta hoje um problema que nenhuma caneta resolve: a crise deixou de ser apenas jurídica e tornou-se política.

É justamente aí que Lula entra em cena.

Ou melhor: tenta sair dela.

Depois de um silêncio prolongado, apareceu publicamente defendendo que a lei deve valer para todos, “seja lá quem for”. A frase poderia soar republicana em qualquer outro contexto. Neste, soa como tentativa de demarcar distância.

Como quem diz: se Moraes cair, não me levem junto.

Mas não é tão simples.

Lula deve parte fundamental de sua volta ao jogo político às decisões tomadas pelo Supremo. Suas condenações foram anuladas, seus direitos políticos foram restabelecidos e o caminho para a eleição de 2022 foi reaberto.

Essa história não pode ser reescrita agora por conveniência eleitoral.

Gilmar Mendes, inclusive, já falou publicamente sobre a importância das decisões do STF para o retorno de Lula à disputa presidencial. E é justamente por isso que o presidente se encontra diante de uma escolha brutal: permanecer abraçado a Moraes e carregar para a campanha todo o desgaste que cerca o ministro ou começar a abandoná-lo para preservar o próprio projeto de poder.

Lula parece ter feito a conta.

E, na política, quando a sobrevivência está em jogo, gratidão tem prazo de validade.

Moraes começa a deixar de ser um ativo do sistema para se transformar em passivo eleitoral.

Se as denúncias, revelações e questionamentos continuarem avançando, seu isolamento tende a aumentar. Um eventual afastamento não significaria prisão automática, evidentemente, mas poderia abrir uma avalanche de investigações, questionamentos e pedidos de responsabilização sobre decisões acumuladas ao longo dos últimos anos.

É justamente esse efeito dominó que assusta Brasília.

Porque Moraes não construiu sozinho o ambiente institucional que hoje está sob questionamento. Se suas decisões forem colocadas sob escrutínio profundo, inevitavelmente surgirá outra pergunta: quem se beneficiou delas?

E é aí que Lula precisa manter distância.

Não por princípio.
Não por espírito republicano.
Não por respeito à separação dos Poderes.

Por sobrevivência.

Alexandre de Moraes corre o risco de ser entregue às feras pelo mesmo sistema que durante anos lhe deu sustentação.

Não necessariamente porque as instituições tenham subitamente redescoberto seus limites. Mas porque, quando o custo de proteger um aliado supera o benefício de mantê-lo, o poder costuma fazer aquilo que sempre fez: descarta a peça para preservar o tabuleiro.

Lula olha para outubro. Olha para sua reeleição. Olha para o desgaste do Supremo. E faz o cálculo frio de todo político acuado: se for necessário sacrificar um aliado para salvar o próprio projeto, que assim seja.

Moraes conhece como poucos os corredores do poder.

Talvez por isso já saiba a regra que agora pode se voltar contra ele:

no sistema que ajudou a fortalecer, ninguém é indispensável.

Quando o navio começa a fazer água, não existe amizade, gratidão ou lealdade.

Existe apenas sobrevivência.

E Alexandre de Moraes pode estar descobrindo que, no jogo do poder, até quem parecia dono do tabuleiro pode terminar tratado como uma peça descartável.

Palavras-chave
como uma peça descartável.



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