A pouco menos de uma semana para o primeiro turno das eleições presidenciais, a crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal saiu dos bastidores da Corte e entrou de vez na campanha.
O imbróglio passou a influenciar as estratégias das campanhas, e o entorno de Flávio Bolsonaro (PL) avalia que mantê-la no centro do debate pode favorecer o candidato. Lula (PT) tenta manter distância, enquanto os demais presidenciáveis alternam cobranças de investigação e pedidos de impeachment.
O estopim: caso Moraes-Vorcaro
O embate começou com a análise de um relatório da PF sobre mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O relatório reúne 52 mensagens enviadas por Vorcaro a um número que a PF identificou como de Moraes. O documento não é conclusivo.Na sessão de 15 de setembro, o clima azedou. Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem para julgar em conjunto os casos de Moraes e de André Mendonça, e o placar estava em 4 a 3 contra a proposta. Dino pediu vista e suspendeu o julgamento por até 90 dias, o que pode deixar o processo parado até dezembro. O mérito, isto é, a abertura ou não de investigação contra Moraes, não chegou a ser analisado.Na segunda-feira, (28), Gilmar formalizou a questão de ordem e apontou “inequívoco viés político-eleitoral” na atuação de Mendonça, o que reacendeu o embate entre os ministros.
Flávio faz do STF bandeira
Flávio é quem mais usa o tema. Em 16 de setembro, no Ceará, chamou a sessão de “triste espetáculo” e disse ter havido tentativa de proteger Moraes. Ontem (28), no podcast Santo Flow, acusou Lula de transformar o STF em comitê eleitoral e atacou Moraes, Dino e Zanin. Também prometeu quatro indicações à Corte se eleito.
Lula tenta se afastar
Do outro lado, Lula cobra punição e tenta se afastar da crise. Aliados esperavam uma posição mais dura, mas sem colocar Moraes na mira. Parte do entorno defende distância do ministro, e o presidente do PT, Edinho Silva, classificou o momento como crise institucional.
Os outros candidatos
Ronaldo Caiado: falou em “degradação moral completa” e defendeu que Moraes seja investigado. Também acusou Lula e Flávio de usarem o conflito para tirar o foco de outros temas.

Vista de Dino, pizza ao vivo e impeachment: como a crise no Supremo virou palanque
Romeu Zema (Novo): reuniu apoiadores na Esplanada naquela semana e defendeu processos de impeachment contra ministros, de lá pra cá, críticas, mensagens em redes sociais e discursos inflamados.
Renan Santos: fez uma live comendo pizza, em referência ao pedido de vista de Dino e tem usado suas caminhadas para falar com a população sobre o assunto. Augusto Cury (Avante): falou em “guerra de egos” e disse não estar ao lado de Moraes nem de Mendonça.
Mas, a eleição já é domingo..
A crise já chegou ao contencioso eleitoral. A campanha de Lula pediu ao TSE direito de resposta contra o pronunciamento de Flávio no horário eleitoral e tentou barrar novas exibições.

Mais de 70 anos e apto a votar? O voto é facultativo
Depois, a coligação também acionou o tribunal por propaganda que considera enganosa. E o embate entre ministros passou a contaminar a Justiça Eleitoral: Mendonça mandou remover uma publicação em ação de Flávio no TSE, e Dino derrubou a decisão.Com a vista de Dino empurrando o desfecho para depois da eleição, a tendência é que o tema siga alimentando discursos, e novas ações no TSE, até o fim da campanha.
Palavras-chaveDepois a coligação também acionou





