A Justiça italiana marcou para 29 de outubro um novo julgamento sobre a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. O caso envolve a condenação da ex-parlamentar pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a cinco anos e três meses de prisão por perseguir um jornalista armada, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. A defesa espera que o pedido seja rejeitado novamente e questiona as garantias processuais oferecidas pela Justiça brasileira. As informações são do Portal R7, em reportagem publicada neste sábado (10).
Justiça italiana vai reavaliar pedido de extradição
O novo julgamento foi marcado após a Corte de Cassação da Itália, instância máxima do sistema judicial do país, anular o andamento do processo em julho deste ano e determinar que a tramitação fosse reiniciada na primeira instância. Em abril, a Corte de Apelação de Roma havia decidido favoravelmente à extradição de Zambelli. A defesa recorreu da decisão, alegando falhas processuais.
Este é o segundo pedido de extradição da ex-deputada analisado pela Justiça italiana em 2026. O primeiro estava relacionado à condenação a dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

A defesa de Carla Zambelli alega falta de garantias processuais e espera que o pedido de extradição seja rejeitado.
Defesa alega falta de garantias processuais
O advogado Eduardo Maurício afirma que espera uma nova rejeição do pedido de extradição. Segundo ele, a defesa questiona a regularidade dos processos e aponta supostas violações de direitos humanos e de princípios fundamentais. De acordo com o advogado, também estão sendo preparadas duas revisões criminais e dois pedidos de exclusão de Zambelli da Interpol. A defesa sustenta que as condenações brasileiras são ilegais e decorreriam de perseguição política e parcialidade de ministros do STF.
As alegações são da defesa da ex-deputada e ainda não representam uma decisão da Justiça italiana sobre o novo pedido.
O julgamento está marcado para 29 de outubro e envolve a condenação de Zambelli por um episódio ocorrido em São Paulo, em 2022
Condenação envolve perseguição com arma em São Paulo
O processo em análise na Itália está relacionado a um episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, na capital paulista.Na ocasião, Zambelli se desentendeu com o jornalista Luan Araújo após um ato político e o perseguiu pelas ruas do bairro dos Jardins com uma pistola em punho.
O STF condenou a então deputada a cinco anos e três meses de prisão. A decisão foi tomada por nove votos a dois pelo crime de porte ilegal de arma de fogo e por dez votos a um pelo crime de constrangimento ilegal com emprego de arma.

Na ocasião, a ex-deputada se desentendeu com o jornalista Luan Araújo após um ato político e o perseguiu pelas ruas do bairro dos Jardins com uma pistola em punho.
Em junho de 2026, o ministro Gilmar Mendes, relator do caso no Supremo, encaminhou documentos às autoridades italianas para fundamentar o pedido de extradição. Entre os pontos apresentados estavam garantias de acesso a advogados, familiares e à representação diplomática italiana, além da indicação de cumprimento da pena na Penitenciária Feminina de Brasília.

Carla Zambelli foi condenada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão por perseguir um homem com arma em punho.
Primeiro pedido de extradição foi rejeitado
Em maio de 2026, a Corte de Cassação italiana rejeitou o pedido de extradição relacionado à condenação de Zambelli pela invasão dos sistemas do CNJ. Na avaliação do tribunal, o ministro Alexandre de Moraes teria atuado em uma dupla condição no caso: como julgador e como pessoa afetada pelo crime atribuído à ex-deputada. Durante a invasão dos sistemas, foi inserido um mandado de prisão falso contra o ministro.
Após a decisão, Zambelli deixou a prisão em Roma, onde estava detida desde julho de 2025.
O julgamento marcado para 29 de outubro trata de outro processo: o da condenação por perseguição armada. A decisão das autoridades italianas poderá definir os próximos passos do pedido de extradição relacionado a esse caso.

Em maio de 2026, a Justiça italiana rejeitou outro pedido de extradição da ex-deputada, relacionado à invasão dos sistemas do CNJ.
Palavras-chaverelacionado à invasão dos sistemas do CNJ.





