A governança como instrumento de crescimento e continuidade das empresas familiares foi o tema central do encontro realizado pelo LIDE Santa Catarina na manhã desta sexta-feira (16), na sede da Energiluz, em São José, na Grande Florianópolis. O evento reuniu lideranças empresariais para compartilhar experiências sobre profissionalização da gestão e longevidade dos negócios.
Durante a abertura do painel, Delton Batista ressaltou que a estruturação de boas práticas de governança deve acompanhar a trajetória das companhias desde as primeiras etapas. “Você não se torna grande para depois ter governança. Você tem governança para se tornar grande”, afirmou. Ele acrescentou que a trajetória de organizações que começaram pequenas e superaram obstáculos até conquistar relevância no mercado demonstra o papel da gestão colaborativa, do empreendedorismo e do impacto social na consolidação de negócios sólidos.
As empresas familiares estão na base da economia do Brasil e também de Santa Catarina. De acordo com dados do IBGE, nove em cada dez negócios no estado são administrados por famílias e eles são responsáveis por até 75% dos empregos gerados e do Produto Interno Bruto. Mas esse modelo enfrenta desafios de governança, de sustentabilidade e de longevidade. “Apenas 12% das empresas familiares chegam à terceira geração. Na minha geração, a quarta, o índice cai para 3%”, reforçou Eduardo Koerich, diretor comercial do Grupo Koerich, um dos painelistas.
Líder de uma das empresas familiares mais valiosas e resilientes do Brasil, o presidente do Conselho de Administração da WEG, Décio da Silva, é filho de um dos fundadores da multinacional catarinense.
Aplaudido de pé antes de sua fala, detalhou ao público o funcionamento da WPA, empresa criada para gerir a WEG e outras empresas do grupo. A palestra destacou as atribuições do conselho de família da WPA: ser guardião do acordo de acionistas, monitorando seu cumprimento e identificando a necessidade de atualização a cada cinco anos.
“Seja uma empresa pequena, média ou grande, é importante você saber exatamente qual é o chapéu que você veste. Nas empresas familiares, um dos maiores problemas que eu vejo é a dificuldade de separação do acionista executivo do acionista normal”, afirmou o empresário.
Ele relembrou que, desde as primeiras gerações, os encontros familiares sobre a empresa tinham a presença até das crianças de colo, ato que se repete até hoje, com a presença de educadores para orientar os jovens e futuros executivos da empresa. “O mundo mudou, evoluiu, mas o que não pode mudar é a coluna vertebral da cultura”, afirmou.
Anfitrião do evento, o CEO da Energiluz, Elígio José Schmitt, ressaltou a importância do networking. Ele também enalteceu as histórias de sucesso contadas por empresas como a Koerich, Docol e WEG, além de valorizar a presença do público. “A Energiluz é uma empresa que acolhe, tem muita energia boa porque a gente entrega a solução com muito amor e carinho”, afirmou.
Entre os painelistas também estavam outros grandes nomes, como o presidente da Docol, Guilherme Bertani, o CEO da Ábaco, Roberto Pedrini, o diretor-presidente do Grupo Herval, José Agnelo Seger, o CEO da Nexti, Marcelo Gomes, e o fundador e CEO da Cota Real, Vitor Crestani.
Palavras-chaveCEO da Cota Real Vitor Crestani.





