O nome de Antônio Nunes, conhecido nacionalmente como Lico, está ligado a uma das gerações mais vitoriosas da história do Flamengo. Natural de Imbituba, no Sul de Santa Catarina, o ex-ponta-esquerda saiu dos campos do futebol catarinense para integrar a equipe que conquistou a Copa Libertadores da América e o Mundial Interclubes em 1981, ao lado de nomes como Zico, Júnior, Andrade e Adílio.
A trajetória até o reconhecimento nacional começou longe dos grandes estádios. Antes de chegar ao futebol profissional, Lico já chamava a atenção nas partidas amadoras de Imbituba. Em 1970, foi contratado pelo América de Joinville, dando início a uma carreira que também incluiu passagens por Grêmio, Figueirense, Marcílio Dias, Avaí e Joinville.
No futebol catarinense, construiu uma trajetória de destaque e conquistou títulos estaduais. Pelo Figueirense, venceu o Campeonato Catarinense de 1974. Anos depois, vestindo a camisa do Joinville, levantou a taça em 1979 e 1980. O desempenho no estado abriu caminho para uma oportunidade no futebol carioca.
A chegada ao Flamengo e a geração de 1981
Lico chegou ao Flamengo em 1980, mas a adaptação não aconteceu imediatamente. Com poucas oportunidades nos primeiros meses, acabou emprestado ao Joinville. O retorno ao clube carioca ocorreu em maio de 1981, justamente no período em que a equipe começava a construir uma das campanhas mais importantes de sua história.
Com a camisa 11, o catarinense encontrou espaço em um elenco que tinha Zico como principal referência, além de jogadores como Leandro, Júnior, Andrade, Adílio, Nunes e Raul Plassmann. Sua movimentação, habilidade e capacidade de participar das jogadas ofensivas ajudaram a compor o funcionamento daquele time.
O ano de 1981 ficou marcado por conquistas em sequência. Em um intervalo de 22 dias, o Flamengo venceu a Libertadores, o Campeonato Carioca e o Mundial Interclubes. Na decisão mundial, disputada em 13 de dezembro, a equipe brasileira derrotou o Liverpool, da Inglaterra, por 3 a 0, em Tóquio, no Japão. Lico estava entre os titulares da formação que entrou para a história rubro-negra.
A passagem pelo clube também rendeu outros títulos expressivos. Além das conquistas de 1981, o jogador participou das campanhas dos Campeonatos Brasileiros de 1982 e 1983, além de torneios estaduais e regionais. Em 1981, também marcou um dos gols da vitória por 6 a 0 sobre o Botafogo, em um clássico que se tornou emblemático para a torcida flamenguista.
Em entrevistas concedidas ao longo dos anos, Lico destacou a relação construída com os companheiros daquela geração. Ao recordar o período, descreveu o grupo como uma grande família e ressaltou o privilégio de ter dividido o campo com jogadores que se tornaram referências do futebol brasileiro.

Homenagem aos campeões do mundo de 1981, no Jogo das Estrelas realizado em 2016.
Lesões interromperam a carreira aos 33 anos
Depois de alcançar o auge da carreira, Lico precisou lidar com um problema que acabou antecipando sua saída dos gramados. Duas cirurgias no joelho não foram suficientes para permitir a continuidade como jogador profissional, e o ex-ponta encerrou a carreira em 1984, aos 33 anos.
A decisão veio em um momento no qual ainda havia interesse de outros clubes. Em uma lembrança sobre o encerramento da trajetória, Lico contou que recebeu propostas, inclusive do São Paulo, mas não tinha condições físicas para seguir atuando.
“Na época, eu tinha propostas de alguns clubes, entre eles o São Paulo. Mas não pude continuar”, relatou.
A aposentadoria não significou, porém, um afastamento definitivo do futebol. Nos anos seguintes, o imbitubense passou a atuar em outras funções, trabalhando como treinador, diretor e supervisor técnico. Entre as experiências estiveram trabalhos nas categorias de base e no time profissional do Avaí, além de uma passagem pelo Londrina e atuação na gestão do departamento de futebol do Joinville.

Lico no time do Flamengo, campeão da Taça Libertadores da América de 1981.
De volta a Imbituba, a ligação com o futebol continuou
Mesmo depois de deixar os gramados profissionais, Lico manteve a relação com o esporte e com a cidade onde nasceu. De volta a Imbituba, também se envolveu em iniciativas voltadas à formação de jovens jogadores. Entre elas esteve o trabalho em uma escolinha de futebol vinculada ao Paes Leme Esporte Clube, com atividades para crianças e adolescentes.
A trajetória do ex-jogador também passou a ser resgatada em produções dedicadas à memória esportiva. Em 2010, sua história foi tema do documentário A Travessia de um Sabiá, produzido como trabalho de conclusão de curso de acadêmicos de Jornalismo. Anos depois, em 2019, uma revista reunindo fotografias, lembranças e relatos sobre sua carreira foi lançada em Imbituba.
O reconhecimento também chegou à sede do Flamengo. Em novembro de 2022, o clube inaugurou um busto de Lico na entrada da Gávea, ao lado de homenagens a outros integrantes da geração campeã mundial de 1981. Na mesma ocasião, foi lançado o livro Lico – Sonho, Suor e Glória, dedicado à trajetória do catarinense.
Mais de quatro décadas depois da conquista no Japão, o nome de Lico permanece associado àquela equipe histórica. Para Imbituba, sua trajetória representa também a presença de um jogador formado no futebol local entre os protagonistas de uma das campanhas mais lembradas do esporte brasileiro.
Palavras-chavelembradas do esporte brasileiro.





