A Polícia Civil cumpriu dez mandados de busca e apreensão na 2ª fase da operação Pecados Capitais, que investiga possíveis desvios de recursos públicos em Florianópolis. A ação, realizada na terça-feira (1º), resultou no afastamento de dez funcionários da Aminc (Instituto Amor Incondicional) e Nurrevi (Núcleo de Recuperação e Reabilitação de Vidas).
As empresas investigadas eram responsáveis pela gestão do Restaurante Popular de Florianópolis e da Passarela da Cidadania, respectivamente. Entre os afastados, estão os presidentes das duas entidades. Um ex-secretário da Assistência Social de Florianópolis também foi alvo da operação. O nome do ex-gestor não foi divulgado.
Segundo o delegado Gustavo Murijo, da Decor (Delegacia de Combate à Corrupção), as entidades estão proibidas de entrar em contato com 16 pessoas que são alvo da investigação. As buscas e apreensões foram realizadas em Florianópolis, São José e Rio Grande (RS).
Em resposta a reportagem, na quarta-feira (2), o Aminc declarou que colabora com as investigações e nunca foi o alvo de operações, que seriam voltadas apenas para um ex-diretor da entidade. Nesta sexta-feira, a Polícia Civil confirmou à reportagem que o instituto é investigado.
“Trata-se de uma instituição séria que sempre cumpriu fielmente seus encargos, prestando contas de tudo, não havendo nada que possa impedir ou atrapalhar o serviço da instituição nos novos projetos que assumir”, declarou a entidade em nota.
A reportagem entrou em contato com o Nurrevi e aguarda o retorno. O texto será atualizado em caso de posicionamento.
A Prefeitura de Florianópolis, que não sofreu mandados de buscas nesta fase da operação, informou que desconhece sobre a nova etapa da investigação e já encerrou todos os contratos com ambas as entidades. A administração municipal também disse que segue trabalhando em conjunto com a Polícia Civil.
Instituições eram responsáveis pela gestão do Restaurante Popular e da Passarela da Cidadania – Foto: Vivian Leal
Pecados Capitais: como funcionava o esquema alvo de investigação
Conforme a investigação, o modus operandi do esquema de desvio de verbas começava com a Semas (Secretaria Municipal de Assistência Social), onde o ex-secretário adjunto da Assistência Social, Jeferson Amaral da Silva Melo, atuava.
Melo realizava a abertura de editais de chamamento de entidades interessadas em realizar a gestão da Passarela da Cidadania e do Restaurante Popular.
Em troca de privilégios, ele deveria escolher as organizações ligadas ao pastor Marcos Ramos, vinculado ao Aminc e Nurrevi. Com isso, Melo poderia escolher as pessoas que trabalhariam nos projetos, teriam poder de decisão em reuniões das entidades e receberia parte do dinheiro desviado.
Jeferson Melo e Marcos Ramos foram alvos da primeira fase da operação realizada pela Polícia Civil – Foto: Redes sociais/Reprodução
As verbas destinadas aos projetos eram desviadas pela Semas e apossadas pelas empresas de Ramos, segundo aponta a investigação. Os estabelecimentos recebiam valores acima dos serviços que eram realmente prestados.
O valor total subtraído dos cofres públicos ainda não foi precisado. Porém, para garantir a eventual restituição do dinheiro, um total de R$ 3 milhões em bens foram apreendidos.
Jeferson Melo e Marcos Ramos foram presos como parte da primeira fase da operação, realizada em dezembro. O ex-secretário foi detido e solto em seguida.
Palavras-chavesecretário foi detido e solto em seguida





