Santa Catarina figura entre as seis unidades federativas brasileiras mais impactadas pela nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações do Brasil, medida anunciada esta semana pelo presidente Donald Trump. Isso se deve ao fato de Santa Catarina estar entre os maiores exportadores para o mercado norte-americano.
Em 2024, o estado foi o sexto maior exportador brasileiro para os EUA, com negócios que geraram US$ 1,7 bilhão — equivalente a 4,3% do total das exportações nacionais para aquele mercado. No acumulado de janeiro a junho de 2025, SC já havia exportado US$ 847,2 milhões para os EUA.
Principais produtos catarinenses afetados
Os setores mais expostos à sobretaxa incluem:
- Painéis e obras de carpintaria para construções: US$ 118 milhões (14%)
- Motores elétricos: US$ 82 milhões (9,7%)
- Peças de motor: US$ 72,3 milhões (8,5%)
- Madeira serrada: US$ 59,1 milhões (7%)
- Madeira moldada: US$ 58,7 milhões (6,9%)
- Outros móveis: US$ 58 milhões (6,8%)
- Madeira compensada: US$ 54,5 milhões (6,4%)
- Transformadores elétricos: US$ 31,9 milhões (3,8%)
- Partes e acessórios para veículos: US$ 30,8 milhões (3,6%)
- Carne suína: US$ 24 milhões (2,8%)
Dimensão e contexto
Os EUA foram responsáveis por cerca de 14% das exportações brasileiras no primeiro semestre de 2025, posicionando-se como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás da China (9,9%) e à frente da Argentina (7%). Para Santa Catarina, porém, os EUA são, historicamente, o principal mercado internacional.
Repercussão e posicionamentos
Em reação à medida, entidades catarinenses expressaram preocupação. A Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) alertou que a tarifa “prejudicará severamente embarques para os EUA” e pediu que o governo federal adote postura diplomática para mitigar os efeitos. A Fecomércio-SC também manifestou preocupação, prevendo redução da atividade econômica, perda de empregos e impactos significativos em toda a cadeia produtiva catarinense. O governo de Santa Catarina divulgou nota reconhecendo os riscos à economia estadual e defendeu ações diplomáticas urgentes, ressaltando o caráter estratégico de SC na relação com os EUA.

Principais produtos catarinenses afetados





