O União Brasil e o Progressistas (PP) oficializam nesta terça-feira (19) em Brasília uma federação que pode redesenhar o equilíbrio de forças no Congresso Nacional. O movimento amplia o poder de barganha dos partidos do centrão e pressiona ainda mais o governo Lula, que precisa garantir apoio para avançar com pautas estratégicas no Legislativo.Antes de sacramentar a união anunciada em abril deste ano, os partidos realizam convenções individuais, e podem definir novos rumos de atuação que ameaçam a base aliada tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, a partir da definição de posições definidas de atuação nas duas Casas.
Juntos, o União Brasil e o Progressistas somam 109 deputados federais e 15 senadores. É a maior bancada da Câmara dos Deputados e uma das maiores do Senado Federal. A Federação União Progressista (UPb) também registrou nas urnas 12.398 vereadores, 1.335 prefeitos, 186 deputados estaduais e quatro distritais. A federação conta ainda com seis governadores, quatro vice-governadores e 1.183 vice-prefeitos.
Apesar do alerta, união de partidos deve manter ministros e apoio seletivo ao governo, afirma analista
Embora o tamanho da federação assuste e seja significativo, não necessariamente aponta para uma ruptura imediata com o governo, avalia o analista Jorge Mizael, da Metapolítica Consultoria. “A federação dá mais solidez eleitoral e força nas negociações, mas ambos os partidos têm histórico de pragmatismo: dificilmente vão abrir mão dos espaços que já conquistaram no Executivo”, pontua Mizael.
Esplanada dos Ministérios onde atuam os servidores do Executivo federal – Foto: Agência Brasil/Arquivo
“O mais provável é que mantenham ministros e uma postura de apoio seletivo, votando com o governo em matérias de interesse comum ou que envolvam liberação de recursos e cargos, mas também marcando diferença em pautas mais sensíveis para a base eleitoral”, reforça o analista político.
Nos bastidores, interlocutores também avaliam que a federação deve mesmo adotar uma postura mais crítica em relação ao governo, como já vem fazendo com comentários, por exemplo, à atuação de Lula em relação ao tarifaço de Donald Trump, mas sem uma ruptura imediata e sem desocupar espaço na Esplanada dos Ministérios.
Governo brasileiro alivia tom após primeiras reações de Lula contra tarifaço de Trump – Foto: Ricardo Stuckert/PR e Donald Trump/@realdonaldtrump/Reprodução
A ocupação de cargos chave em pastas, com os ministros do União Celso Sabino no Turismo; Waldez Góes na Integração Nacional e Frederico de Siqueira nas Comunicações; além do progressista André Fufuca no Esporte deverá ser mantida pelo menos até o ano que vem, embora uma ala da federação defenda uma ruptura com o governo.
Para o analista Jorge Mizael, a permanência na base aliada neste momento mostra um reposicionamento dos partidos. “Eles ganham margem de negociação e se colocam em melhor posição para 2026, sem perder os benefícios imediatos de estarem próximos ao Planalto”, conclui.
Lançamento da Federação União Progressista, em Brasília – Foto: Sidey Lins Jr./Uniáo Brasil
Federação criticou e votou contra o governo por aumento de impostos e IOF
As ameaças da federação entre União Brasil e Progressistas, capitaneadas por Antônio Rueda e Ciro Nogueira, de desembarcar da base, não são exatamente uma novidade. Não é de agora que os partidos criticam posicionamentos ou medidas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O caso mais recente foi na polêmica entre Congresso Nacional e Palácio do Planalto na discussão do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com o envio de medida para aumentar o imposto e a derrubada do reajuste pelo Congresso. Naquela ocasião, os presidentes da União Progressista e líderes reuniram as bancadas e fecharam questão contra qualquer proposta de aumento de impostos pelo governo federal.

Federação criticou e votou contra o governo





