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Acontece lá, acontece aqui? Brasil pode ser um shutdown para chamar de seu Economia

Acontece lá, acontece aqui? Brasil pode ser um shutdown para chamar de seu

03-10-2025 • há 11 mêses

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Os Estados Unidos enfrentam neste momento um “shutdown”, uma paralisação da máquina pública por falta de financiamento após republicanos e democratas não chegarem a um acordo sobre o orçamento. O Brasil pode ter uma paralisação para chamar de sua, mas sem ser por falta de acordo entre governo e oposição.

Apesar do uso do termo para os dois países, as situações seriam bem diferentes. “Nos Estados Unidos, o ‘shutdown’ é um mecanismo legal e automático: se Congresso e Casa Branca não aprovam o orçamento a tempo, funções consideradas não essenciais do governo são imediatamente paralisadas. É um efeito abrupto, visível da noite para o dia, porque a lei simplesmente proíbe que o governo gaste sem autorização”, explica Lucas Sharau, economista e sócio da iHUB Investimentos.

Já no Brasil, a previsão é para risco de estrangulamento orçamentário. Isso ocorre quando gastos obrigatórios — como salários, previdência, programas de saúde e educação — consomem praticamente todo o orçamento, não deixando espaço para despesas discricionárias, como custeio da máquina pública e investimentos.

‘Shutdown’ brasileiro pode levar a paralisação de obras públicas e falta de dinheiro para universidades – Foto: Divulgação/Governo de SP/ND‘Shutdown’ brasileiro pode levar a paralisação de obras públicas e falta de dinheiro para universidades – Foto: Divulgação/Governo de SP

“Nesse cenário, a paralisação não seria imediata, mas gradual: primeiro vêm contingenciamentos, depois cortes sucessivos em áreas como manutenção de escolas, universidades, obras de infraestrutura, segurança e programas de apoio ao setor produtivo. Ou seja, não é um apagão repentino como nos EUA, mas uma asfixia progressiva que inviabiliza a capacidade de o Estado operar”, afirma o especialista.

O alerta para o risco de “shutdown” brasileiro e a previsão de que ele possa ocorrer já em 2027, ano seguinte as Eleições, consta do último relatório da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado.

Como evitar o ‘shutdown’ brasileiro?

Com o ritmo de crescimento dos gastos obrigatórios muito mais acelerados que da arrecadação, Lucas Sharau defende adoção de medidas impopulares, mas que ele considera estruturantes para evitar um “shutdown”.

“O primeiro é revisar regras automáticas de indexação, que fazem com que despesas aumentem independentemente do ciclo econômico. Sem repensar indexadores e critérios de reajuste, o orçamento ficará cada vez mais engessado”, argumenta o especialista.

Ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, vão precisar adotar ações para evitar estrangulamento do orçamento – Foto: Valter Campanato/Agência BrasilMinistros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, vão precisar adotar ações para evitar estrangulamento do orçamento – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Um desses pontos seria a desvinculação do salário mínimo, que tem aumento real garantido por lei, da previdência e benefícios sociais, como Bolsa-Família e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Ação que o governo Lula já se pronunciou de forma contrária.

“Outro caminho é reduzir subsídios e gastos tributários pouco eficientes, que drenam bilhões de reais todos os anos sem gerar retorno proporcional em crescimento ou produtividade. Além disso, é essencial que a regra fiscal seja crível e não transfira todo o ajuste para as despesas discricionárias, como historicamente acontece”, diz Sharau.

Ele ainda defende o uso de metas claras para a trajetória da dívida, planos plurianuais “realistas” e gatilhos automáticos de correção para quando a dívida sai da rota. “Quanto mais previsibilidade e disciplina forem transmitidas ao mercado e à sociedade, menores serão os custos de financiamento e maior a confiança na sustentabilidade fiscal do país”, garante.

A proximidade com as Eleições preocupa o especialista. É um período em que governos costumam gastar mais. Sharau afirma que os ajustes para evitar o “shutdown” precisam ocorrer quanto antes, sem deixar tudo para 2027.

Palavras-chave
Ele ainda defende o uso de metas claras



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