Uma operação da Polícia Civil, desencadeada nesta terça-feira (14), bloqueou cerca de R$ 170 milhões em bens de três pessoas, investigadas pela prática de lavagem de dinheiro em Florianópolis. O crime seria cometido mediante apropriação, parcelamento ilegal e revenda de terrenos irregulares. As investigações da DLAV (Delegacia de Investigação à Lavagem de Dinheiro) começaram em 2023, após apurações iniciadas em duas especializadas: delegacias de Crimes Ambientais e de Crimes contra as Relações de Consumo. Segundo o delegado responsável pelo caso, o grupo agia a partir de empresas incorporadoras que vendiam propriedades, principalmente, nos bairros Ingleses, Rio Vermelho, Canasvieiras e Jurerê, no Norte da Ilha. A Polícia Civil acredita que os crimes relacionados à lavagem de dinheiro em Florianópolis vêm sendo cometidos desde 2012.
Esse tipo de crime é bastante comum em Florianópolis, principalmente, por ser muito lucrativo. A nossa atuação busca, justamente, a asfixia financeira do grupo para retirar das ruas, o patrimônio proveniente do crime”, afirmou o delegado Jeferson Alessandro Prado Costa.
Imóveis de fachada ficavam, principalmente, no Norte da Ilha
A operação Tentáculos foi revelada com exclusividade. A ofensiva cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao suspeitos, apreendeu sete veículos de luxo e bloqueou 86 imóveis, entre apartamentos, hotéis e pousadas, em nome dos suspeitos.
Veículos de luxo são apreendidos em operação
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos sete veículos de luxo em nome dos investigados na ofensiva. Dentre os carros, estão modelos das marcas BMW, Volvo, Jeep e Abarth, além de um motorhome.
A Justiça também determinou o bloqueio 86 imóveis vinculados aos suspeitos de lavagem de dinheiro em Florianópolis. Os imóveis estão localizados em Florianópolis e no litoral norte de Santa Catarina. Estruturas utilizadas como hotéis e pousadas estão na lista. Dinheiro em espécie e armas de fogo também foram apreendidos. Em um dos endereços, foi localizada grande quantidade de dinheiro escondida em um fundo falso. Os valores serão contabilizados nesta quarta-feira (15). Contratos e dispositivos eletrônicos também foram retidos.
Como funcionava a lavagem de dinheiro em Florianópolis
As investigações mostraram que o grupo investigado usava empresas de fachada e incorporadoras para ocultar o patrimônio proveniente do esquema criminoso. Os negócios fraudulentos também eram usados para dar aparência de licitude aos valores arrecadados.
“Temos uma infinidade de contratos de gaveta, procurações, boletos de IPTU e documentos que serão cruzados, dados que serão checados e analisados no decorrer das investigações. Tem todo um processo forense que também será realizado nos equipamentos eletrônicos que apreendemos”, afirmou o delegado .
Armas e dinheiro estavam em endereço vistoriado pela Polícia CivilFoto: Reprodução/PCSC
Os suspeitos também usavam pessoas interpostas (laranjas) para compra e venda de propriedades, além da participação de terceiros na abertura de empresas de fachada. Os investigados da operação Tentáculos já respondem por outros crimes relacionados ao esquema, como parcelamento irregular de solo urbano.
Os investigados por lavagem de dinheiro em Florianópolis devem ser indiciados, ao final da investigação, pelos crimes descritos na lei 9.613/1998, que dispõe sobre “lavagem, ou ocultação de bens, direitos e valores”. A pena pode variar de três a dez anos de prisão.
Palavras-chave
três a dez anos de prisão.





