Um esquema de golpe milionário provocou prejuízo estimado em mais de R$3 milhões e atingiu mais de 30 pessoas e empresas em Guabiruba, no Vale do Itajaí. A cidade tem aproximadamente 25 mil habitantes e o suspeito dos golpes era conhecido das vítimas. O caso envolve um ex-gerente de cooperativa de crédito que teria aproveitado da posição de confiança para aplicar diversos tipos de golpes. Segundo as investigações, o suspeito adaptava o método de fraude conforme o perfil de cada vítima. Em alguns casos, ele pediu senhas de acesso bancário, alegando necessidade de atualização cadastral, e posteriormente teria usado essas informações para realizar transferências e operações indevidas. Outros relatos apontam para a liberação irregular de linhas de crédito e cartões em nome de clientes, amigos e até familiares, com compras fictícias e movimentações em contas controladas por ele.
Em situações mais pessoais, o ex-gerente teria usado histórias emocionais, como dificuldades financeiras ou que a esposa estava com problemas de saúde, para convencer pessoas próximas a fazerem empréstimos e entregarem o dinheiro, prometendo arcar com as parcelas, o que não ocorreu.
Como eram aplicados os golpes?
Ele adaptava a abordagem conforme o perfil de cada vítima, fosse uma empresa, um conhecido ou até familiares. Os principais métodos identificados pelas investigações e pelos relatos fora:
Fraude digital e acesso indevido a contas empresariais
O homem entrava em contato com empresas se passando por funcionário da cooperativa de crédito e alegava a necessidade de uma “atualização cadastral” no sistema. Durante a conversa, pedia a senha do Internet Banking, afirmando que resolveria o procedimento internamente e de forma rápida.
Com o acesso garantido, utilizava o limite de “Desconto de Títulos” para emitir boletos falsos entre as contas das próprias vítimas e CNPJs ligados ao grupo familiar. Esses boletos, sem valor comercial real, eram descontados, liberando dinheiro que ele sacava ou transferia.
O homem entrava em contato com empresas se passando por funcionário da cooperativa de crédito e alegava a necessidade de uma “atualização cadastral” no sistema
Liberação fraudulenta de crédito em nome de terceiros
Em outros casos, o suspeito abria contas ou usava as de amigos e parentes para obter crédito bancário, desde empréstimos até cartões de alto limite.
Em uma das situações, ele liberou um cartão de crédito de R$ 70 mil e realizou uma compra fictícia parcelada na maquininha da empresa do próprio pai, antecipando o valor logo em seguida. Em outra, convenceu uma parente a abrir uma conta “para ajudar nas metas” e contraiu, sem o consentimento dela, uma dívida de R$ 50 mil.
Empréstimos pessoais baseados na manipulação emocional
O investigado também explorava a confiança e os laços afetivos. Usava histórias de dificuldades financeiras ou problemas de saúde na família para sensibilizar as vítimas. Pedia que elas contratassem empréstimos pré-aprovados em seus nomes e repassasse o dinheiro em espécie, prometendo arcar com as parcelas, o que nunca acontecia. Esse tipo de golpe atingiu principalmente amigos próximos e pessoas idosas.
Expansão do esquema para outras instituições financeiras
Embora a maior parte dos casos envolvesse a cooperativa, há registros de fraudes em outros bancos. Em um deles, o suspeito teria solicitado a senha de acesso de uma conta digital de uma das vítimas, que acabou acumulando dívidas em duas instituições diferentes.
Como foi descoberto o esquema de golpe milionário?
O esquema do golpe milionário foi descoberto após a saída do funcionário da cooperativa, no fim de junho de 2025. A partir daí, a própria instituição teria identificado movimentações suspeitas e entrado em contato com alguns clientes, o que levou à descoberta de um número crescente de vítimas.
A Polícia Civil de Guabiruba investiga o caso e já registrou diversos boletins de ocorrência. Segundo o delegado responsável, os depoimentos e documentos reunidos indicam um padrão de manipulação e desvio sistemático de valores, envolvendo tanto pessoas físicas quanto jurídicas.
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