Conflitos ministros do STF: O tema volta a dominar as manchetes. “Fico exaltado com covardia!”, disse Dias Toffoli em um desentendimento recente com André Mendonça. Essa briga na 2ª Turma reacendeu o debate sobre as tensões na Corte, que vão muito além de divergências jurídicas e se manifestam em diversos episódios. O Plenário do STF é considerado a arena máxima da Justiça, mas, nos últimos tempos, tem evidenciado trocas de acusações e ‘tretas’ que ganharam os holofotes. De discussões técnicas sobre “pedidos de vista” – quando o juiz pede mais tempo para analisar um caso – a ataques pessoais diretos, os ministros da Suprema Corte já protagonizaram cenas de alta voltagem, com direito a insultos como “figura lamentável”, menções a “capangas do Mato Grosso” e ordens ríspidas de “me esqueça!”.
As disputas no Supremo foram muito além das divergências jurídicas em diversos episódios. Registros de bastidores e documentos do plenário confirmam a escalada da tensão e a guerra de egos na Corte, expondo as relações explosivas entre ministros como Gilmar Mendes, Luiz Fux, e até os ministros aposentados Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa.
Fachada do STFFoto: MAURO BURLAMAQUI/SCO/STF
Conflitos ministros do STF: o decano Gilmar Mendes e a quebra de protocolo em embates com colegas de toga
Se o STF virou uma espécie de ringue nos últimos tempos, o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, foi com certeza protagonista de grande parte dos confrontos. Com seu estilo direto e muitas vezes irônico, ele não faz rodeios para criticar colegas em público, expondo a ‘intimidade’ da Corte e elevando a temperatura de qualquer debate.
Mendes subiu o tom no plenário em diversas ocasiões, mas talvez a mais famosa seja o episódio em que o decano e o ministro aposentado Joaquim Barbosa, relator do processo do Mensalão, se enfrentaram no plenário. As divergências processuais rapidamente evoluíram para o campo pessoal, resultando numa troca de farpas épicas.
Voto de matinê’ e ‘capangas’
Os conflitos entre ministros do STF vêm de longa data. Em uma sessão histórica, em abril de 2009, Gilmar Mendes criticou um voto de Barbosa, classificando-o sarcasticamente como “voto de matinê”, insinuando falta de profundidade jurídica. Barbosa rebateu de forma cortante. “Vossa Excelência não está falando com seus capangas do Mato Grosso”, e o clima ficou insustentável, provocando até mesmo o cancelamento da sessão do dia seguinte no plenário.
A briga foi tão feia que os magistrados, após esse episódio, mal se olhavam, e a inimizade jurídica passou para o campo pessoal, segundo comentavam pessoas próximas aos ministros.
Conflito entre Gilmar Mendes e Luiz Fux demonstra fragilidade entre integrantes da Suprema Corte
‘Me Esqueça!’, ordenou Fux a Gilmar Mendes
Em mais um caso envolvendo o decano Gilmar Mendes, desta vez em 2014, após um pedido de vista de Luiz Fux em um caso importante para o decano, sobre precatórios, Fux perdeu a paciência após ser contestado por Mendes, e ordenou: “Me esqueça, Gilmar! Me esqueça!”. A discussão, embora não tenha sido registrada em tempo real pelos veículos de comunicação do STF, por ter ocorrido fora do plenário, acabou ‘vazando’ por fontes que presenciaram a cena.
Figura Lamentável’, disse Mendes a Cármen Lúcia
Os desentendimentos do ministro Gilmar Mendes com os colegas não se restringiram somente aos magistrados, e atingiram até mesmo a ministra Cármen Lúcia. Durante um julgamento sobre o direito de resposta a políticos, quando Gilmar Mendes atacou a posição da então presidente do STF, Cármen Lúcia, o decano disparou, “Vossa Excelência é uma figura lamentável!”.
Cármen Lúcia, visivelmente abalada, reagiu duramente, exigindo respeito. A cena, transmitida ao vivo pela TV Justiça provocou até um intervalo na sessão.
Cármen Lúcia (à esq.) deu voto de minerva que definiu placar de 6 a 5
‘Absurdos’ e falta de ‘decoro’ com Lewandowski
Em novembro de 2016, Gilmar Mendes subiu o tom contra o ministro aposentado Ricardo Lewandowski , atual ministro da Justiça, em meio à discussão de um pedido de vista. Mendes atacou Lewandowski, acusando-o de dizer “absurdos” na imprensa e de fazer “coisas heterodoxas”. Lewandowski exigiu retratação imediata: “Absurdos não, Vossa Excelência retire o que disse, porque não existe! Vossa Excelência está faltando com o decoro, e não é de hoje!”
De ‘velho a velhaco’: a farpa para Marco Aurélio Mello
O embate com o ministro aposentado Marco Aurélio Mello, em 2017, foi marcado por uma ofensa velada. Após Mello se declarar impedido em um caso que envolvia a esposa de Gilmar Mendes, este reagiu com uma frase que entrou para a história dos bastidores da Corte. Sem citar o nome do colega, Mendes afirmou que alguns ministros, ao envelhecerem, passavam “de velhos a velhacos”. A provocação, vista como direta, foi devolvida por Marco Aurélio na imprensa dias depois, ao declarar que, se fosse duelar com Mendes, “escolheria arma de fogo”.
Ministros Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso tiveram nova discussão em meio a um julgamento
‘Pitadas de psicopatia’: o auge da ofensa com Barroso
Em 2018, um confronto entre Gilmar Mendes e o ministro Luís Roberto Barroso mais uma vez revelou a linha tênue entre discussão jurídica e opinião pessoal. O bate-boca começou quando Gilmar criticou a forma como a 1ª Turma, conduzida por Barroso, pautava temas polêmicos. Barroso, visivelmente furioso com o ataque, disparou: “Vossa Excelência é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia.” Gilmar retaliou no mesmo instante, insinuando conflito de interesses ao disparar: “Eu vou recomendar ao ministro Barroso que feche o seu escritório de advocacia.” A então presidente Cármen Lúcia foi forçada a suspender a sessão diante do grau da agressão verbal.
A série de ofensas no STF, que escalou de críticas a “capangas” e ordens ríspidas de “me esqueça!”, mostra que a política e as rivalidades pessoais muitas vezes ultrapassam as interpretações constitucionais nos conflitos entre ministros do STF.
o auge da ofensa com Barroso





