Os 5 anos do Pix marcam a chegada de um novo recurso de segurança a partir de 23 de novembro. O Banco Central ativará um sistema capaz de rastrear todas as camadas das transações feitas por fraudadores, permitindo bloqueios em contas intermediárias e devolução de valores em até 11 dias após a contestação. O pagamento instantâneo, que completa cinco anos neste domingo (16), já conta com o Mecanismo Especial de Devolução, criado em 2021, mas agora terá uma versão ampliada – o MED 2.0 – que compartilha informações entre instituições financeiras e promete reduzir o escoamento rápido do dinheiro roubado.
Segundo Renato Dias de Brito Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, a mudança corrige a limitação atual, que só permite travar valores na primeira conta recebedora. As informações são do R7.
O meio de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central (BC) transfere recursos entre contas em poucos segundos, a qualquer hora ou dia
5 anos do Pix: o que muda com o novo MED 2.0
De acordo com o R7, a comemoração dos 5 anos do Pix traz a principal atualização desde o lançamento do MED original. A partir de agora, será possível mapear toda a rota de transações usadas pelos fraudadores.
Gomes explica que, em casos de golpe, o dinheiro costuma ser distribuído rapidamente entre diversas contas, inviabilizando a devolução. Com o MED 2.0, os bancos poderão enxergar todas as “camadas” e formar uma espécie de árvore de movimentações, travando até pequenas frações enviadas para diferentes destinos.
Atualmente, a contestação feita nos aplicativos só bloqueia a primeira conta que recebeu o valor. O novo mecanismo impede que os criminosos esvaziem essa conta e transfiram o dinheiro antes que o cliente perceba o golpe.
O uso do sistema será opcional para os bancos até 2 de fevereiro de 2026, quando passa a ser obrigatório.
Devoluções superam R$ 1,5 bilhão desde 2021
O 5 anos do Pix também revelam o volume crescente de devoluções via MED. Em quatro anos, mais de R$ 1,5 bilhão já retornou às vítimas de golpes, coerção, erros ou fraudes.
Somente entre janeiro e julho de 2025, foram devolvidos R$ 377,4 milhões – sem incluir devoluções parciais. Em 2024, o total chegou a R$ 561,5 milhões.
Valores devolvidos por ano:
- 2021 (nov/dez): R$ 3.898.646,65
- 2022: R$ 191.164.322,82
- 2023: R$ 389.139.322,39
- 2024: R$ 561.513.623,72
- 2025 (até julho): R$ 377.427.374,88
O BC reforça que a devolução depende da contestação imediata pelo cliente, agora feita diretamente nos aplicativos, por meio do botão de contestação disponível desde 1º de outubro.
Como funciona a contestação pelo MED
No 5 anos do Pix, o Banco Central destaca que o botão de contestação é o principal caminho para acionar o MED:
- A vítima informa a transação suspeita no aplicativo.
- O banco do suposto golpista deve bloquear o valor disponível.
- As instituições têm até sete dias para analisar o caso.
- Confirmado o golpe, a devolução é feita diretamente para a conta da vítima em até 11 dias.
O botão não vale para desacordos comerciais ou erros cometidos pelo próprio usuário, como transferência para chave digitada incorretamente.
O MED pode ser aberto pela área Pix do aplicativo, acessando opção específica de contestação, ou diretamente pelo extrato, selecionando a transação desejada.
Pagamentos podem ser feitos a partir de aplicativos de bancos e carteiras digitaisFoto: Enrico Sordili/R7
Outras medidas implementadas e próximas novidades do Pix em comemoração aos 5 anos do Pix
Entre as ações já ativadas neste ano, o BC cita:
- Botão de contestação (1º de outubro)
- Bloqueio de chaves usadas em golpes (4 de outubro)
- Pix Automático obrigatório para débitos interbancários (13 de outubro)
A partir de 23 de novembro, com o MED 2.0, o rastreamento do caminho do dinheiro passa a ser amplificado.
Nos 5 anos do Pix, a agenda prevê novas funções:
- Pix Parcelado (regulamentação adiada desde setembro)
- Pix em garantia (previsto para 2026)
- Boleto com QR Code (ativo desde fevereiro)
- Pix por aproximação (ativo desde fevereiro)
- Pix Automático (desde junho)
- Autoatendimento do MED (desde outubro)
Além disso, o BC trabalha em:
- Pix Internacional
- Plataforma Centralizada
- API de Pagamentos
- Novas formas de iniciação por NFC, Bluetooth, RFID e reconhecimento facial
- Regras para split de pagamentos
Além disso o BC trabalha em:





