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Copom mantém Selic em 15% e diz que manutenção por tempo 'bastante prolongado' é adequada para alcançar meta de inflação Economia

Copom mantém Selic em 15% e diz que manutenção por tempo 'bastante prolongado' é adequada para alcançar meta de inflação

10-12-2025 • há 9 mêses

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Sob críticas crescentes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, desde julho de 2006. É a quarta reunião consecutiva em que o Copom opta pela estabilidade dos juros básicos da economia brasileira.

No comunicado, o BC fez ajustes muito pontuais e evitou qualquer sinalização sobre o início do corte de juros, mas reduziu a projeção oficial de inflação no horizonte em que o Copom trabalha para alcançar a meta de 3,3% para 3,2% - mais próximo do alvo de 3,0%. 

"O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado."

Na mensagem, o BC destacou que a estratégia de manutenção da Selic por tempo "bastante prolongado" já está em curso, o que corrobora a manifestação recente do presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, de que a sinalização não "zera" a cada reunião. No início do mês, Galípolo afirmou que não vê necessidade de criar "um código de comunicação" para indicar os próximos movimentos do Copom. Nesse contexto, ele sinalizou que não há necessidade de retirar a expressão "bastante prolongado" para iniciar um ciclo de corte de juros.

Além disso, no encontro anterior, em novembro, o BC havia dito que a estratégia de manutenção por "período bastante prolongado" era "suficiente" para assegurar a convergência da inflação à meta, agora avalia como "adequada".

A decisão desta quarta-feira era esperada pela maior parte do mercado financeiro. De acordo com pesquisa do Valor Pro, 110 das 112 instituições financeiras consultadas previam estabilidade da taxa no Copom desta quarta, enquanto duas casas aguardavam corte de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Para o início do corte de juros, há divisão entre janeiro e março.

No comunicado, o BC atualizou suas projeções oficiais para a inflação, com queda em todos os horizontes considerados. No prazo em que trabalha para colocar a inflação na meta, o segundo trimestre de 2027, a redução foi de 3,3% para 3,2%. Houve também queda nas projeções para 2025, que voltou ao intervalo da meta (1,5% a 4,5%), ao cair de 4,6% para 4,4%, e para 2026, de 3,6% para 3,5%.

Mas, na análise de conjuntura, o BC fez reconhecimentos marginais sobre a melhora de indicadores inflacionários e de atividade e repetiu que o cenário "segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho".

"Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado."

Sobre a inflação corrente, a autoridade monetária destacou que seguiu mostrando "algum arrefecimento" nas divulgações recentes, mas ponderou que tanto o índice geral quanto as medidas subjacentes, que apontam para a tendência, "mantiveram-se acima da meta". Nesta quarta-feira, o resultado do IPCA de novembro ficou dentro do intervalo da meta (1,5% a 4,5%), em 4,46%. Isso não acontecia desde setembro de 2024.

Sobre a desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB), o Copom sinalizou que está dentro do esperado. O PIB teve alta marginal de 0,1% no terceiro trimestre. Em relação ao mercado de trabalho, trocou a classificação de dinâmico para resiliente. A taxa de desemprego vem renovando mínimas históricas, chegando a 5,4% no trimestre encerrado em outubro.

"O conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, como observado na última divulgação do PIB, enquanto o mercado de trabalho mostra resiliência."

Em relação ao cenário externo, o BC voltou a recomendar cautela dos países emergentes em meio à incerteza provocada pela conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais.

Palavras-chave
com reflexos nas condições financeiras globais.



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