MENU



Bagagem gratuita em voos pode voltar se Congresso derrubar veto de 2022 esquecido no limbo Política

Bagagem gratuita em voos pode voltar se Congresso derrubar veto de 2022 esquecido no limbo

31-12-2025 há 5 mêses

Publicidade

A retomada da bagagem gratuita — com uma mala despachada incluída — depende da derrubada de um veto de 2022. Mas ele é só um exemplo, o mais antigo, do estoque de vetos que atravessa o calendário e chega a 2026 sem solução. Segundo os dados do Congresso, hoje há 358 dispositivos vetados que aguardam análise pelo Legislativo. O número se refere a 63 leis, que foram vetadas, ou que tiveram apenas partes suprimidas e por isso, já estão valendo. A 

volta da franquia mínima para despachar uma mala em voos foi aprovada pelo Congresso ainda em 2022, e apesar de ser um tema sempre recorrente em outros projetos,  não virou realidade em decorrência do veto do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Se o Congresso apreciar e derrubar o veto, a regra passaria a valer de imediato, sem depender da companhia aérea, da categoria do seu programa de milhas ou de qualquer decisão da agência reguladora.

O forte apelo popular fez o Congresso aprovar o retorno da franquia obrigatória no despacho da mala “padrão”, mas desde o veto de Bolsonaro, o Parlamento não concluiu o ciclo previsto na Constituição: ou derruba o veto e reativa o dispositivo, ou mantém o veto e enterra a proposta. No limbo, o tema vira um “refém” institucional: todo mundo sabe que existe, poucos assumem o custo de decidir.

Essa paralisia, porém, não indica falta de condições de votar, e sim uma escolha política permitida desde 2013, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou a trava cronológica rígida que, na prática, pressionava o Congresso a apreciar vetos em ordem e dentro do prazo sob pena de travar a pauta de sessões conjuntas.

Na prática, a flexibilização abriu caminho para uma fila seletiva: vetos que interessam andam; vetos incômodos viram moeda de pressão institucional sobre o Executivo ou ficam esquecidos, para que o Parlamento não assuma o ônus da palavra final.

Avaliação de vetos presidenciais pelo Congresso criou fila seletiva para a negociação política.Avaliação de vetos presidenciais pelo Congresso criou fila seletiva para a negociação política.

A fila seletiva do veto

O veto que barrou a volta da franquia obrigatória de bagagens é um dos mais antigos ainda pendentes. O ponto central, porém, não é apenas o caso da bagagem gratuita: é a lógica de acúmulo de vetos presidenciais e de dispositivos vetados em leis que já estão em vigor, por ora, na forma como saíram do Palácio do Planalto. A pesar de o portal do Congresso indicar, em itens com mais de 30 dias, a expressão “sobrestando a pauta” (o que sugeriria trancamento até a deliberação), desde 2013 o mecanismo deixou de funcionar como gatilho automático e passou a depender de decisão política e acordo.

Entre os vetos pendentes não há apenas temas de menor relevância. Há vetos associados a diretrizes orçamentárias, o que aumenta a pressão sobre a condução fiscal e a relação entre Executivo e Legislativo, tornando a análise de vetos uma arma política poderosa.

Há vetos ligados a radiodifusão, mudanças regulatórias, cotas raciais em concursos públicos, projetos que envolvem isenções e regras de financiamento setorial, com implicação direta sobre arrecadação e políticas regionais.

O ponto central dessa “preguiça” em decidir é menos o conteúdo de cada veto e mais o poder de agenda. Quando o Congresso escolhe votar um veto orçamentário volumoso, o Executivo sente a pressão. Quando empurra um veto antigo, sinaliza que o interesse não é “limpar a fila”, mas manter um estoque de decisões presidenciais que podem ser revistas a qualquer momento — como moeda de troca.

Para o governo — qualquer que seja — isso cria tensão constante: decisões presidenciais podem ser canceladas a qualquer momento, com impacto inclusive no equilíbrio fiscal. Isso vira uma “faca no pescoço” do Executivo, usada em disputas por poder, agenda e narrativa, como aponta o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

"É inconcebível pautarmos a derrubada de um veto que tem menos de 15 dias enquanto temos vetos da legislatura passada, vetos do ex-presidente Bolsonaro que aguardam deliberação há anos. O critério de urgência não pode ser apenas o desejo de impor derrota ao Executivo. Há uma fila, e a fila, nas democracias civilizadas, deve ser respeitada. O que estamos vendo aqui é um ‘fura-fila’ institucionalizado para desorganizar as contas públicas”, criticou o líder.

'O critério de urgência não pode ser apenas o desejo de impor derrota ao Executivo', dispara o líder do governo no Senado Federal, Jaques Wagner (PT-BA), sobre a análise de vetos de Lula.

O critério de urgência não pode ser apenas o desejo de impor derrota ao Executivo’, dispara o líder do governo no Senado Federal, Jaques Wagner (PT-BA), sobre a análise de vetos de Lula

Já para a oposição, como destacou o líder no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), a “soberania” do Congresso precisa ser fortalecida e a vontade da maioria parlamentar se sobrepõe à cronologia, pois é, segundo ele, um instrumento para corrigir os erros do Poder Executivo. "Não se trata de furar fila, e sim de urgência social. O governo tenta, via veto, legislar contra a vontade desta Casa, que foi eleita pelo povo. Se o veto do Presidente Lula desfaz uma lei aprovada por ampla maioria há duas semanas, é obrigação moral deste Congresso restaurar imediatamente. Os vetos antigos, que o governo cita, são matéria vencida, poeira de arquivo. O Brasil tem pressa é para corrigir os erros de agora”, defende o senador.

Escolha da fila de análise dos vetos é soberania para o Parlamento, defende o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN)Escolha da fila de análise dos vetos é soberania para o Parlamento, defende o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN)Foto: Reprodução Youtube/TV Senado

Mas, durante a discussão de um dos vetos presidenciais derrubados, um deputado do centrão explicitou a função do procedimento na relação Legislativo–Executivo: a moeda de troca.

Lula lidera derrotas em vetos no Congresso

Com um Congresso Nacional refratário à atual gestão do Palácio do Planalto, a Casa tem rejeitado em nível acima da média vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde o início do terceiro mandato, em 2023. Levantamentos baseados em dados do Senado indicam que o instrumento vem aprofundando a reconfiguração do presidencialismo de coalizão, com o Parlamento acumulando mais instrumentos de poder e o Executivo perdendo controle sobre a agenda pública.

Palavras-chave
Lula lidera derrotas em vetos no Congresso



logo

Siga no
Instagram


@Imbituba News Oficial

Seguir

Inscreva-se
no Grupo de
WhatsApp

ENTRAR NO GRUPO