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Fraude e manipulação: o que diz o MP sobre o ‘esquema das funerárias’ de Criciúma Justiça

Fraude e manipulação: o que diz o MP sobre o ‘esquema das funerárias’ de Criciúma

20-01-2026 • há 8 mêses

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Um suposto esquema de irregularidades envolvendo funerárias de Criciúma voltou à tona na última semana a partir da decisão do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) de ajuizar uma ação contra 34 pessoas por improbidade administrativa. A iniciativa do órgão público é resultado de desdobramentos da Operação Caronte e de uma investigação que teve início em 2021 e que foi marcada pelas prisões do ex-prefeito da cidade, Clésio Salvaro, e do ex-secretário de Assistência Social, Bruno Ferreira – ambos já em liberdade – bem como por apontamentos para suposta fraude, interferência e manipulação dos serviços funerários no município. S

Suposto esquema das funerárias teria começado antes mesmo da inauguração da ‘nova’ Central

De acordo com o MPSC, as irregularidades teriam começado antes mesmo da inauguração da “nova” Central Funerária, ocorrida em agosto de 2023 e que limitou a prestação do serviço na cidade para quatro empresas. O 

órgão cita que em 2021 um grupo empresarial do ramo teria utilizado formulários com informações falsas e notas fiscais emitidas irregularmente para burlar o rodízio de atendimentos vigente na época. Servidores da Central teriam auxiliado nessa manobra.

Empresários, lobistas e agentes públicos e políticos teriam atuado em conjunto para fazer com que a lei mandada para a Câmara de Vereadores que criou o então “novo modelo” da Central envolvesse somente quatro funerárias credenciadas, ao invés de seis – como inicialmente estava previsto. Além disso, teria ocorrido um movimento para transferir as competências de fiscalização do serviço para “setores mais suscetíveis à influência política”.

Ainda segundo o Ministério Público, o grupo teve acesso prévio à minuta do edital de concorrência pública e sugeriu alterações em cláusulas de forma a atender os seus interesses.

Segundo MP, empresas teriam diminuído qualidade dos caixõesFoto: Reprodução/Decom/NDSegundo MP, empresas teriam diminuído qualidade dos caixões

Denúncias começaram a pipocar na Câmara de Vereadores

Meses após a inauguração da Central, já com as quatro funerárias atendendo, vereadores de Criciúma apresentaram uma denúncia na Câmara. Os parlamentares trouxeram à tona a informação de que uma família carente, ao procurar a assistência social para realizar o velório e enterro do filho de seis meses, teria recebido um caixão com marcas de uso.

MPSC aponta na ação que as empresas responsáveis pelo serviço teriam reduzido a qualidade dos caixões gratuitos, contrariando o edital, e vendido serviços indevidos com o objetivo de aumentar o lucro nos sepultamentos.

Denúncia de caixão supostamente usado foi apresentada na CâmaraFoto: Foto: Reprodução/ NDDenúncia de caixão supostamente usado foi apresentada na Câmara

Prefeito da cidade chegou a ser preso

Em setembro de 2024, o então prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, foi preso preventivamente suspeito de ter alterado uma lei municipal para favorecer um grupo empresarial, facilitando a sua entrada nos serviços funerários da cidade. Ele ficou mais de um mês na prisão antes de ser solto para responder em liberdade.

Central já está funcionando em um novo local em CriciúmaFoto: Foto: Divulgação/Prefeitura de CriciúmaCentral já está funcionando em um novo local em Criciúma

Sistema de funerárias mudou por conta do processo

Como resultado de uma ação também movida pelo MPSC, os serviços funerários da cidade passaram por mudanças. Em junho de 2025, um novo modelo passou a ser adotado pelo município – sem limite de empresas credenciadas e com exclusão das quatro que até então eram as únicas autorizadas a prestar os serviços.

Palavras-chave
Sistema de funerárias mudou por conta do processo



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