O dinheiro que nasce no agro está cada vez mais encontrando destino no litoral norte de Santa Catarina. Produtores rurais já representam cerca de 30% dos investidores em imóveis de luxo em Balneário Camboriú e na Praia Brava, em Itajaí, impulsionados por estratégias financeiras que vão além do turismo. O movimento se intensifica com o início da colheita da safra de grãos no Centro-Oeste e no Paraná, período que costuma liberar capital imediato no agronegócio e direcionar parte desses recursos para o mercado imobiliário da região.
Agro investe em imóveis de luxo no litoral de SC
De acordo com o corretor de imóveis Bruno Cassola, especialista em investimentos imobiliários de alto padrão, o interesse do agronegócio pelos imóveis do litoral norte tem uma lógica financeira bem definida.
Balneário Camboriú tem o metro quadrado mais caro do Brasil
Segundo ele, não se trata apenas de adquirir uma segunda residência ou um imóvel de lazer.
A compra funciona como uma estratégia de proteção patrimonial, na qual o lucro gerado pelas commodities, muitas vezes sujeito a oscilações de mercado, é convertido em ativos reais. Nesse cenário, Balneário Camboriú e a Praia Brava surgem como destinos estratégicos.
A região apresenta liquidez acima da média nacional e valorização constante, características que ajudam a preservar o poder de compra dos investidores mesmo diante das variações do dólar e das incertezas econômicas.
Principais fatores que motivam esse movimento
Um dos principais fatores que motivam esse movimento é a diferença de comportamento entre o mercado agrícola e o imobiliário.
Enquanto produtos como soja e carne bovina estão diretamente expostos às condições climáticas e às oscilações cambiais e de mercado, o valor do metro quadrado em Balneário Camboriú segue uma trajetória de valorização considerada mais estável.
“O imóvel de frente para o mar ou em localizações nobres atua como uma “apólice de seguro” para o produtor. Em anos de quebra de safra ou baixa de preços internacionais, a liquidez do ativo imobiliário em Santa Catarina permite a recomposição de caixa e proteção patrimonial”, conta Bruno Cassola.
Praia Brava vira aposta de valorização
Além de Balneário Camboriú, a Praia Brava, em Itajaí, também vem ganhando destaque entre investidores ligados ao agronegócio. Na avaliação de Cassola, a região passou a ser vista como um novo polo de crescimento imobiliário, atraindo produtores que apostam na valorização impulsionada pela escassez de áreas disponíveis e pelo desenvolvimento urbano.
Nesse contexto, a compra de imóveis ainda na planta se torna uma estratégia semelhante à aquisição de terras agrícolas, permitindo ao investidor acompanhar todo o ciclo de valorização desde o início do empreendimento.
Pagamentos adaptados ao ritmo do campo
Outro fator que impulsiona a presença do agro no mercado imobiliário de luxo é a adaptação das incorporadoras ao fluxo financeiro típico do setor rural.
Segundo o especialista, muitas empresas passaram a oferecer planos de pagamento semestrais ou anuais alinhados ao calendário agrícola, especialmente às janelas de colheita da soja e do milho.

A infraestrutura logística de Santa Catarina também contribui para fortalecer essa tendência
Esse modelo permite que produtores adquiram imóveis avaliados entre R$ 3 milhões e R$ 20 milhões sem comprometer o capital necessário para manter as operações da fazenda, utilizando apenas o excedente gerado pela produção.
Litoral catarinense também vira base de gestão
A infraestrutura logística de Santa Catarina também contribui para fortalecer essa tendência.
A presença de dois aeroportos internacionais, em Navegantes e Florianópolis, além do aeroporto Costa Esmeralda e de helipontos instalados em alguns empreendimentos, facilita o deslocamento frequente de empresários do agronegócio.
Com o avanço da tecnologia e dos sistemas de monitoramento remoto das lavouras, muitos sucessores das famílias produtoras passaram a escolher o litoral catarinense como residência principal.
A partir dali, administram propriedades e operações localizadas em estados como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul, conciliando gestão empresarial, segurança jurídica e qualidade de vida.
Palavras-chavejurídica e qualidade de vida.





