A Associação Amigos dos Autistas de Imbituba (AMAI) realizou, na manhã desta quinta-feira (02), a Caminhada de Conscientização do Autismo. A mobilização faz parte de uma série de ações promovidas mundialmente em alusão ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado no dia 2 de abril.
O evento teve a presença de mais de 80 pessoas, entre crianças e adultos autistas, pais, mães, professores, alunos de escolas municipais e a presença da vice-prefeita e secretária municipal de saúde, Madalena Nunes e do secretário de Educação, Esporte e Juventude, Josué Espezim.

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo tem como objetivo ampliar o conhecimento da sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e promover o respeito às diferenças. A data reforça a importância de combater o preconceito e garantir mais inclusão, visibilidade e direitos para as pessoas autistas em todos os espaços.
“Mais do que um ato simbólico, essa caminhada chama a atenção da sociedade para a importância de compreender o autismo e acolher as pessoas com empatia. Nosso objetivo é ampliar o conhecimento, combater o preconceito e reforçar que o cuidado e o respeito devem estar presentes todos os dias”, afirmou a vice-prefeita.

Dificuldades das pessoas autistas
Uma mulher de 43 anos, diagnosticada com autismo aos 23, que estava na caminhada, relatou à reportagem as dificuldades enfrentadas por pessoas autistas. Desde então ela vem estudando e se adaptando ao mundo que, segundo ela, não está preparado para lidar com esse tipo de pessoa, principalmente no mundo do trabalho.
Ela conta que a maior dificuldade que ela encontrou é a adaptação das empresas perante a pessoa com autismo, principalmente para não haver informação e capacitação das instituições. “As empresas não se adaptam. Alguns autistas, não são todos, têm a bateria social de 6 horas. Isso é um estudo feito na Oxford, se não me engano”, informa Joseli. “Se o horário normal de trabalho é 12 horas, os autistas, passando dessas seis horas de duração da bateria social, ficam extremamente cansados”, destaca.
E, ainda, aborda a questão do capacitismo. “Será que as pessoas realmente sabem o que sente e pensa uma pessoa autista? Muitos tem o conceito de que somos iguais a todos, que somos mais inteligentes até, mas não entendem o quão é difícil para nós lidar com o mundo”.

Importância do Dia 2 de Abril
Em entrevista à reportagem, Joicy Souza e Taiane Debiazi, profissionais da AMAI de Imbituba, destacaram a importância desta data. “O dia 2 de abril é um dia importante pra informar as pessoas sobre o autismo, promover respeito, inclusão e combater preconceitos”, destaca a psicóloga Joicy.
Taiane, psicopedagoga que atua na associação, complementou a fala ao destacar a importância de políticas públicas que garantam os direitos das pessoas com autismo. “Garantir, também, que as famílias tenham apoio. Que as crianças tenham acesso à inclusão nas escolas. A ONU criou esse dia para que a gente possa trazer informação, apoiar as famílias, e sempre buscando trazer mais autonomia pra pessoa autista, respeito e qualidade de vida”, destaca.
O que é o autismo e por que a conscientização vai além da data
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada, principalmente, por diferenças na comunicação, na interação social e no comportamento. De acordo com o Ministério da Saúde, os sinais costumam aparecer ainda na infância, mas variam de pessoa para pessoa, já que se trata de um espectro.
Entre as características mais comuns estão dificuldades na comunicação verbal e não verbal, padrões repetitivos de comportamento e interesses restritos. No entanto, especialistas reforçam que cada pessoa autista é única, podendo apresentar diferentes habilidades, necessidades e níveis de suporte.
Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que cerca de uma em cada 100 crianças no mundo está dentro do espectro autista. O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são fundamentais para o desenvolvimento e a qualidade de vida.
A conscientização, portanto, vai além de informar sobre a existência do autismo: envolve combater o preconceito, ampliar o acesso a diagnósticos e garantir inclusão em áreas como educação, saúde e mercado de trabalho.

saúde e mercado de trabalho.





