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O que está por trás da supersafra histórica de tainhas em SC? Geral

O que está por trás da supersafra histórica de tainhas em SC?

07-06-2026 há 1 dia

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A atuação de ciclones extratropicais, ventos persistentes do sul e a presença de águas mais frias no litoral catarinense podem estar entre os principais fatores que explicam a supersafra da tainha em Santa Catarina neste ano.

Considerada a melhor das últimas três décadas, a Safra da Tainha 2026 já se aproxima das 400 toneladas capturadas e tem surpreendido pescadores pela quantidade de cardumes registrados ao longo da costa.

Cerca de 400 toneladas de tainha já foram capturadas em Santa CatarinaFoto: Divulgação/Ricardo Wolffenbüttel/Arquivo/SECOM/ND Mais                                  Cerca de 400 toneladas de tainha já foram capturadas em Santa Catarina

Nossa reportagem , o meteorologista Piter Scheuer, explica que as condições atmosféricas e oceânicas observadas nos últimos meses criaram um cenário especialmente favorável para a migração da espécie, contribuindo para aproximar os peixes da costa catarinense e aumentar o volume das capturas.

Como os ciclones ajudaram a supersafra da tainha

Embora geralmente sejam lembrados pelos ventos fortes, ressacas e mudanças bruscas no tempo, os ciclones extratropicais também exercem influência importante sobre a dinâmica dos oceanos.

De acordo com Scheuer, neste ano houve a atuação de sistemas de baixa pressão e ciclones extratropicais na costa da Argentina e do Sul do Brasil. Esses sistemas favoreceram períodos prolongados de vento sul e o avanço de massas de ar frio pelo litoral catarinense, condições consideradas ideais para a migração da tainha.

“O vento sul provoca agitação marítima, mudanças nas correntes oceânicas e queda da temperatura da água, fatores que estimulam o deslocamento dos cardumes em direção ao litoral de Santa Catarina”, destacou o metereologista.

Atuação de ciclones extratropicais pode estar entre os fatores que favoreceram a supersafraFoto: Reprodução/Clima ao Vivo/ND Mais                             Atuação de ciclones extratropicais pode estar entre os fatores que favoreceram a supersafra

Águas frias favorecem a chegada dos cardumes

A temperatura da água é um dos fatores mais importantes para o comportamento migratório da tainha. Segundo Scheuer, quando há entrada de águas mais frias na costa do Sul do Brasil, especialmente associadas a ventos do quadrante sul, frentes frias e ciclones extratropicais, o ambiente se torna mais propício para que os cardumes se aproximem do litoral. “As correntes marítimas, temperatura da água, salinidade e disponibilidade de alimento ajudam a definir as rotas migratórias da tainha”, afirmou o metereplogista.

Outro fenômeno importante é o chamado transporte costeiro. Ventos persistentes conseguem alterar a circulação superficial do oceano e até favorecer a ressurgência em alguns pontos, trazendo águas mais frias e ricas em nutrientes para áreas próximas da costa.

Esse processo fortalece a cadeia alimentar marinha e ajuda a criar condições favoráveis para a presença dos peixes na região.

Pesca é considerada a melhor das últimas três décadasFoto: Reprodução/NDTV Record/ND Mais                                          Pesca é considerada a melhor das últimas três décadas

El Niño pode ter efeito contrário

Se as águas frias ajudam, o aquecimento do oceano tende a dificultar a migração. Conforme Scheuer, anos marcados por eventos intensos de El Niño costumam registrar águas mais quentes no Sul do Brasil, alterando padrões atmosféricos e oceânicos importantes para a pesca. “Isso pode prejudicar parcialmente a safra, porque a tainha prefere águas mais frias durante o processo migratório. Já em condições mais neutras ou com resfriamento do oceano, o ambiente costuma ficar mais propício para a migração e concentração dos cardumes no litoral catarinense”, explicou.

Aquecimento do oceano tende a dificultar a migraçãoFoto: Reprodução/Climatempo/ND Mais                                                     Aquecimento do oceano tende a dificultar a migração

Supersafra tem outros fatores além do clima

Apesar da influência das condições meteorológicas e oceanográficas, o especialista destaca que a safra histórica não pode ser explicada apenas pelo clima. Aspectos biológicos da espécie, disponibilidade de alimento, correntes marítimas, preservação dos estoques pesqueiros e outros fatores ambientais também influenciam diretamente o sucesso da temporada.

Enquanto pesquisadores seguem analisando o fenômeno, os resultados já impressionam o setor. A Fepesc (Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina) classificou a temporada como a melhor dos últimos 30 anos.

O volume de pescado capturado foi tão expressivo que, em algumas regiões, a oferta passou a superar a procura, obrigando entidades do setor a buscar novos compradores em outros estados para evitar uma queda acentuada nos preços pagos aos pescadores.

Em comunidades tradicionais do litoral catarinense, há relatos de que não se via uma safra tão abundante há cerca de 40 anos.

Palavras-chave
safra tão abundante há cerca de 40 anos. ​



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