Em meio à crise institucional instaurada no STJ (Superior Tribunal de Justiça), o ministro Luis Felipe Salomão assumirá a Presidência da Corte em agosto. A mudança no comando ocorre após dois magistrados se tornarem alvos de uma investigação formal da PF (Polícia Federal). Marco Buzzi e Paulo Dias de Moura Ribeiro são investigados por uma suposta venda de sentenças. O ministro Buzzi também é alvo de outra operação, que apura casos de assédio e importunação sexual relacionados ao seu nome.
STJ marca julgamento de Marco Buzzi
O ministro Herman Benjamin marcou para o dia 6 de agosto o julgamento administrativo do ministro Marco Buzzi, investigado por supostos casos de importunação e assédio sexual contra duas mulheres. Os episódios teriam ocorrido em Balneário Camboriú. A sessão será realizada em sigilo.

O ministro Marco Buzz
Natural de Timbó, Marco Buzzi está afastado das funções no STJ desde 10 de fevereiro de 2026, após a abertura das investigações. Além do processo administrativo disciplinar que tramita na Corte, o magistrado também é alvo de um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal). As denúncias foram apresentadas por uma jovem de 18 anos e por uma ex-assessora do gabinete do ministro. Em depoimento, Buzzi negou todas as acusações. A defesa apresentou documentos, laudos periciais e exames médicos, incluindo um diagnóstico de disfunção erétil, para contestar os relatos.
Investigação sobre suposta venda de sentenças
As apurações fazem parte dos desdobramentos da Operação Sisamnes, deflagrada em 2024 para investigar um suposto esquema de corrupção envolvendo decisões judiciais no STJ. A investigação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal).
A medida ocorreu após pedido da Polícia Federal, com parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República).
No caso de Marco Buzzi, os investigadores apontam a existência de referências ao nome de um familiar do ministro em conversas atribuídas aos mesmos lobistas suspeitos de negociar decisões judiciais e corromper assessores da Corte. Até o momento, não há acusação de que o magistrado tenha participado diretamente do suposto esquema.
Em nota, a assessoria de Buzzi afirmou que o ministro “não tem relação com atividades de nenhum de seus familiares” e ressaltou que ele é legalmente impedido de atuar em processos que envolvam parentes.

A defesa acrescentou ainda que o magistrado “não tem conhecimento de andamentos do caso em tela, tampouco figura como investigado
Já no caso do ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, segundo os investigadores, há indícios de que algumas decisões proferidas por ele possam ter beneficiado advogados e lobistas suspeitos de integrar o esquema de venda de sentenças.
A PF investiga ao menos dez processos relatados por Moura Ribeiro e busca aprofundar a análise sobre movimentações financeiras de empresas, servidores do STJ e familiares do magistrado.
Em nota, Moura Ribeiro afirmou desconhecer a existência de investigação sobre decisões que tenha proferido. O ministro informou ainda que o servidor citado foi exonerado por solicitação dele próprio após atuação considerada irregular e classificou como “completamente improcedentes” quaisquer tentativas de vinculá-lo a fatos criminosos.

O ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro
*Com informações do R7.
Palavras-chave*Com informações do R7.





