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Cantor Armandinho relembra navio encalhado em Imbituba e emociona internautas Eventos

Cantor Armandinho relembra navio encalhado em Imbituba e emociona internautas

16-08-2026 há 13 horas

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Registros antigos do navio que durante décadas marcou a paisagem da Praia do Porto, em Imbituba, reapareceram nas redes sociais e despertaram uma lembrança especial ao cantor Armandinho. Ao assistir ao vídeo publicado pelo perfil Imbituba Raiz, Armando Antônio Silveira da Silveira, conhecido nacionalmente como Armandinho, contou como era surfar no local com o cargueiro ao fundo.

“Sim. Ficava no hotel do Moreira e ia a pé surfar no portinho, antes da ampliação dos molhes, quando quebravam ondas clássicas com o navio ao fundo. Lembro da cor do navio ao cair da tarde. O sol dava um colorido lindo à praia”, escreveu o cantor.

O comentário recebeu dezenas de curtidas e abriu espaço para uma verdadeira coleção de memórias. O perfil Imbituba Raiz agradeceu a participação do artista: “Obrigado pelo depoimento, mestre, que honra, que emoção!”, escreveu.

Outras pessoas também começaram a contar histórias vividas em torno da embarcação. Um internauta lembrou que pediu ao pai para levá-lo à Praia do Porto apenas para ver o navio.

Outro relato chama atenção pela aventura. Um homem contou que tinha 10 anos quando o cargueiro encalhou e saiu de Garopaba de bicicleta para conhecê-lo. Segundo ele, percorreu o caminho sozinho em uma Caloi 10, dividindo a estrada com os carros. “Foi uma jornada para chegar até Imbituba”, recordou.

Para algumas crianças e adolescentes daquela época, o cargueiro virou quase uma extensão da praia. “Cresci pulando de cima dele”, escreveu um internauta, que ainda chamou atenção para uma escada visível na lateral da embarcação nas imagens antigas.

Outro contou que o grupo costumava mergulhar no Pocinho, nadar até o navio e passar parte da manhã saltando da estrutura para o mar. “Tempos bons”, resumiu.

As lembranças também passam pelo surfe, exatamente como no comentário de Armandinho. Um dos seguidores afirmou que surfava ao lado do cargueiro e recordou as boas ondas daquele período. Segundo ele, a ligação com a região foi tão grande que posteriormente passou a morar na Praia do Rosa.

Há ainda histórias que atravessaram gerações. Uma internauta contou que recebeu do bisavô relatos sobre a operação do navio, mostrando como a embarcação acabou incorporada à memória de diferentes famílias da região.


Reprodução Redes Sociais

O navio era o Cidade de Belo Horizonte

O protagonista dessas lembranças era o cargueiro brasileiro Cidade de Belo Horizonte, fabricado em 1968 e utilizado no transporte de carvão. Registros históricos apontam que a embarcação encalhou na Praia do Porto em 28 de setembro de 1980, durante uma forte ressaca.

Documentos do Tribunal Marítimo ajudam a reconstruir os momentos que antecederam o acidente. O navio apresentava problemas nas máquinas e chegou a deixar Imbituba com destino ao Rio de Janeiro, mas precisou retornar poucas horas depois. Com a piora do tempo, a amarra se rompeu e a embarcação foi levada em direção à praia, onde encalhou atravessada em relação ao mar.

Depois do encalhe, houve uma tentativa de retirada. A estrutura, porém, não resistiu, as chapas se romperam e a carga de carvão foi perdida. Atualmente, o Cidade de Belo Horizonte é registrado como desmantelado.


O navio sumiu da paisagem, mas os vestígios continuam lá

O cargueiro já não aparece acima da água como nas cenas que despertaram as lembranças de Armandinho. O que permanece são vestígios submersos da embarcação.

A existência desses restos é registrada em diferentes fontes. Uma descrição da Praia do Porto menciona ondas formadas ao lado dos “vestígios de um navio encalhado”. Mais recentemente, em 2022, a publicação especializada Waves alertava para o “navio encalhado embaixo do pico” ao relatar uma sessão de ondas grandes no local.

A relação entre a embarcação e o surfe também é antiga. Em 2005, a Waves já descrevia o navio como semi-submerso e apontava que a estrutura era responsável pela formação de uma bancada clássica na Praia do Porto.

Quase 46 anos depois do encalhe, o Cidade de Belo Horizonte continua sendo usado até como referência geográfica oficial. Em julho de 2026, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) identificava o ponto 05 de monitoramento da balneabilidade da Praia do Porto como localizado na Rua Alvin Agostinho, nº 85, “próximo ao navio encalhado”.

Palavras-chave
“próximo ao navio encalhado”.



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