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Judiciário invade a eleição e Brasil chega às urnas sob tensão Eleições

Judiciário invade a eleição e Brasil chega às urnas sob tensão

02-10-2026 • há 12 horas

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A eleição presidencial chega à reta final cercada por uma situação que deveria preocupar qualquer brasileiro: o Judiciário voltou a ocupar o centro do processo eleitoral justamente quando quem deveria estar no centro eram os candidatos e os eleitores.

O episódio do debate da Globo talvez seja o retrato mais evidente desse ambiente.

Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não comparecer ao último debate antes do primeiro turno. Sua coligação, então, recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral contra uma regra previamente estabelecida pela emissora, que previa a exposição do púlpito do candidato ausente e permitia perguntas dos postulantes presentes ao fujão. Todas as coordenações de campanha subscreveram a ata com as regras, inclusive a do PT.

A ministra Estela Aranha acolheu integralmente o pedido e proibiu tudo que estava devidamente acordado.

O detalhe político não é pequeno: Estela integrou o governo Lula, trabalhou no Ministério da Justiça durante a gestão de Flávio Dino e há registro público dela declarando voto em Lula na eleição de 2022. Nada disso, por si só, torna ilegal uma decisão judicial. Mas, numa eleição presidencial, aparência de imparcialidade também importa.

E não parou aí.

Praticamente na mesma janela de tempo, Gilmar Mendes determinou a participação de Renan Santos no debate, alterando novamente as regras que haviam sido estabelecidas pela emissora. Flávio Bolsonaro desistiu de comparecer, classificando a decisão envolvendo o púlpito de Lula como censura. Pouco depois, diante das mudanças impostas judicialmente, a Globo anunciou o cancelamento do encontro.

Resultado: o último grande debate presidencial simplesmente não aconteceu.

Lula, que havia recusado o confronto televisivo, participou de uma entrevista no Flow no mesmo horário. Flávio fez sua própria transmissão. E o eleitor ficou sem assistir ao confronto que poderia colocar frente a frente os principais nomes da disputa.

É esse o ponto central.

Não é necessário inventar conspirações para perceber o tamanho do problema institucional. Quando decisões do TSE e do STF mudam, poucas horas antes de um debate presidencial, regras previamente acertadas entre emissora e campanhas, a Justiça deixa de ser apenas árbitra e passa inevitavelmente a integrar a própria narrativa política da eleição.

E isso é péssimo para o país.

Mais grave ainda porque o Brasil chega a 2026 depois de anos de choque permanente entre política, Supremo, redes sociais, investigações e decisões eleitorais. O ambiente já estava contaminado pela desconfiança. Na reta final, em vez de redução da temperatura, veio mais combustível.

A Globo acabou experimentando uma situação curiosa: preparou seu tradicional debate presidencial e, pouco antes de começar, viu o formato desmontado por decisões vindas de Brasília.

Quem ganhou com isso?

Certamente não foi o eleitor.

Debate existe exatamente para produzir confronto, cobrança, desconforto e exposição. Candidato que comparece responde. Candidato que não comparece assume politicamente o custo de sua ausência.

Transformar o Judiciário em administrador dessas consequências é caminhar sobre terreno perigoso.

Nesta sexta-feira, 2 de outubro, a dois dias das urnas, o Brasil chega ao momento decisivo de uma eleição em que candidatos já não são os únicos protagonistas.

Decisões judiciais de última hora alteraram regras, mudaram o cenário do principal debate presidencial e colocaram novamente ministros dos tribunais superiores no centro da disputa política.

O problema não é apenas quem foi beneficiado ou prejudicado por uma decisão específica. É algo maior: uma democracia começa a adoecer quando o eleitor passa a discutir mais o comportamento do árbitro do que as propostas dos jogadores.

Depois de tudo o que o país viveu nos últimos anos, seria razoável esperar que o Judiciário fizesse o máximo esforço para permanecer distante da arena política.

O que se viu nesta reta final foi exatamente o contrário.

O mesmo conluio(Supremo-Lula) que deu o ar da graça em 2022, parece estar novamente querendo interferir no resultado eleitoral de 2026. Talvez por pressentir que a vitória da Oposição poderá custar muito caro; não apenas para alguns ministros do STF, mas também para a Companheirada, especialmente aqueles que já haviam sido condenados pela prática de corrupção.

Agora faltam poucas horas.

E a pergunta que fica é: até o fechamento das urnas, o eleitor brasileiro será finalmente o protagonista desta eleição ou Brasília ainda pretende reservar para si o último lance?

Palavras-chave
reservar para si o último lance?



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