O mercado imobiliário brasileiro pode entrar em um período de espera nas próximas três semanas. Não significa que os negócios vão parar, mas que muitos investidores devem adiar a decisão de compra até que o resultado das eleições presidenciais seja conhecido.O motivo é simples: imóvel é um investimento de longo prazo e, em momentos de incerteza política e econômica, é natural que o investidor faça primeiro uma sondagem e deixe a assinatura para depois.O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva acontece no dia 25 de outubro. Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No litoral catarinense, a pausa deve ser mais perceptível
Litoral catarinense às vésperas da temporada de verão
No litoral de Santa Catarina, esse movimento pode ser ainda mais perceptível. Balneário Camboriú, Praia Brava, Itapema e Porto Belo possuem um mercado bastante influenciado por investidores e compradores de alto poder aquisitivo. São pessoas que, muitas vezes, não precisam comprar naquele momento e podem simplesmente esperar algumas semanas para entender qual será o cenário político e econômico do país.
As visitas, consultas e sondagens, portanto, devem continuar. O que pode diminuir é a conversão dessas conversas em contratos.
Construtoras podem destravar lançamentos
Ao mesmo tempo, existe outro movimento para observar: as construtoras que estavam segurando anúncios e lançamentos previstos para o fim do ano podem começar a se movimentar novamente. Uma eventual definição de cenário político mais favorável ao mercado pode aumentar a confiança e fazer com que empreendimentos que estavam em fase de planejamento voltem a ganhar data para lançamento.
Resultado sai às vésperas da temporada de verão
E existe um detalhe importante no calendário: o resultado do segundo turno acontece justamente antes dos meses mais fortes do verão no litoral catarinense.
Se Flávio Bolsonaro vencer, minha leitura é que podemos ter uma reação relativamente rápida do mercado, principalmente entre novembro e janeiro. O comprador que passou as últimas semanas esperando pode voltar a olhar imóveis, e o veranista que vem para Santa Catarina durante a temporada pode transformar uma visita em uma decisão de investimento.
É importante deixar claro que isso não significa que uma eleição, sozinha, determine o comportamento dos preços dos imóveis. Juros, crédito, renda, oferta, demanda e confiança continuam sendo fundamentais.
Confiança transforma sondagem em compra
Mas o mercado imobiliário trabalha muito com percepção de futuro. E, neste momento, o que existe é uma espécie de pausa estratégica: muita gente olhando, perguntando, visitando e esperando para decidir.
Para quem trabalha diariamente com imóveis no litoral catarinense, as próximas três semanas podem ser menos sobre fechar negócios e mais sobre preparar o terreno para o que pode acontecer depois de 25 de outubro.
Se o resultado eleitoral trouxer uma percepção maior de confiança, o mercado pode entrar no verão com outro humor.
E, no mercado imobiliário, confiança muitas vezes é justamente o que transforma uma sondagem em uma compra.
Palavras-chavesondagem em uma compra.





