MENU



‘Estão me mandando embora sem razão’, desabafa major transgênero aposentada pela PM de SC Segurança

‘Estão me mandando embora sem razão’, desabafa major transgênero aposentada pela PM de SC

10-04-2025 há 1 ano

Publicidade

Lumen Muller Lohn, de 45 anosm, a major transgênero aposentada compulsoriamente pela Polícia Militar de Santa Catarina, afirmou estar chocada com a decisão, uma vez que continuou trabalhando durante todo o andamento do processo. A corporação argumenta a transferência para a reserva ocorreu por “inconstância laboral” e “questões comportamentais”.

decisão, assinada pelo governador Jorginho Mello (PL), foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado no dia 4 de abril de 2025. O documento considera “procedente a justificação militar” e recomenda transferência da oficial para reserva remunerada por considerar “não habilitada para o acesso em caráter definitivo”.

Major transgênero queria progredir na carreira

Em entrevista a reportagem, a major Lumen afirmou que recebeu com surpresa a decisão, uma vez que permanecia atuando à Diretoria da Saúde, da Polícia Militar durante todo o andamento do processo. Ela foi designada para o setor em 2022, após retornar de um afastamento de dois anos por depressão.

“Eu segui trabalhando durante o curso do processo. Para quem estava ali, parecia que o processo era inútil e uma perda de tempo porque eu continuei trabalhando, interagindo com os oficiais do Conselho. Eu fiquei chocada com o resultado e mais chocada ainda por ter sido unânime”, revelou a major transgênero à reportagem.

Decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado em 4 de abril – Foto: DOE/Governo de Santa Catarina

O processo para aposentadoria compulsória da major transgênero começou em 2022, depois que ela foi recusada para promoção a tenente-coronel três vezes, mesmo período em que ela iniciou a transição de gênero.

“Eu queria continuar trabalhando, progredir na carreira. Tem um plano quando se ingressa em uma carreira como essa e é horrível ser impedida no meio, sem um motivo para isso”.

Conforme o artigo 102, inciso VIII, do Estatuto dos Militares (lei Nº 5.774/1971), “pôr o oficial considerado não habilitado para o acesso em caráter definitivo” deverá ser passado para a inatividade, mediante transferência para a reserva remunerada.

“Eles estão me mandando embora sem razão”, diz militar

A major transgênero possui diagnósticos de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e TAB (Transtorno Afetivo Bipolar), ambos em remissão, segundo ela. À reportagem, Lumen afirmou que os transtornos não são consideradas justificativas para o pedido de afastamento.

“A Junta Médica disse que se há tratamento, está tudo certo e eu estou em remissão. A questão é que eles não fariam essa pergunta sobre uma pessoa que tem diabete, por exemplo. No processo, não existe nenhuma acusação, nenhuma conduta, nenhum fato que justifique o meu afastamento. Não é nem que justifique, não tem. Eles estão me mandando embora sem razão. A argumentação é o fato de eu não ter sido promovida”, afirmou Lumen.

A justificativa dada a ela, à época em que foi recusada para a promoção a tenente-coronel, foi de que ela havia permanecido em afastamento por motivo de saúde por muito tempo, o que impediria a promoção.

Ao ND Mais, Lumen afirmou que tinha o desejo de continuar na ativa – Foto: Arquivo pessoal/ND

A reportagem, Lumen afirmou que tinha o desejo de continuar na ativa – Foto: Arquivo pessoal

Logo após as recusas, a corporação pediu ao Conselho de Justificação da Polícia Militar que iniciasse um procedimento para transferência da major transgênero à reserva. A fase de instrução começou em 2023 e o processo foi concluído com a aposentadoria compulsória. O conselho é composto por três oficiais, homens, superiores à major transexual.

“O processo começou logo depois que eu iniciei a transição. A corporação afirma que só soube disso depois que eu apresentei o ofício, em janeiro de 2023, mas não tinha como não terem visto. Quando eu decidi que iria fazer a transição, eu não fiz escondida”, contou Lumen. A major transgênero irá recorrer, judicialmente, da determinação.

Contraponto

Em nota conjunta, a Polícia Militar de Santa Catarina e o governo do Estado afirmam que a decisão de encaminhar a major transexual para a reserva “teve como base pareceres técnicos e jurídicos da Procuradoria-Geral do Estado e do próprio Conselho de Justificação da Polícia Militar. A alegação foi de incompatibilidade para continuar na ativa”.

O posicionamento diz ainda que “essa justificativa foi considerada válida, de acordo com a legislação vigente, e por isso ocorre a determinação de que se afaste do serviço ativo e passe para a reserva”.

Palavras-chave
“Eles estão me mandando embora sem razão”



logo

Siga no
Instagram


@Imbituba News Oficial

Seguir

Inscreva-se
no Grupo de
WhatsApp

ENTRAR NO GRUPO