Na próxima quarta-feira, 23, um dos maiores desafios logísticos de Santa Catarina estará na mesa em Brasília. O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), e o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, receberão o Fórum Parlamentar Catarinense para discutir o futuro do Morro dos Cavalos, trecho crítico da BR-101 em Palhoça. A reunião tratará três pontos: a construção de um túnel, a criação de um contorno viário e a revisão dos contratos de concessão da rodovia.
Divergências políticas podem atrapalhar resolução
O que era para ser um encontro técnico e focado em soluções acabou ganhando um toque de polêmica antes mesmo de acontecer. O governador Jorginho Mello (PL), não foi convidado para a reunião.
A ausência do Chefe de Estado traz luz a questões políticas, especialmente considerando que o Governo Federal é do PT. Em resposta, o deputado Pedro Uczai (PT), coordenador do Fórum, disse que fez contato com o ministério para tentar reverter a situação, mas a princípio Jorginho Mello não deverá comparecer.
Além disso, o encontro contará com a presença do presidente da Assembleia Legislativa de SC, deputado Julio Garcia (PSD), que é oposição ao governador e será uma das vozes importantes na discussão.
Apesar das divergências políticas, Uczai garante que o foco tem que ser a solução para o Morro dos Cavalos. “O mais importante é que a obra siga em frente. Não podemos deixar que questões partidárias atrapalhem a segurança das pessoas”, afirmou.
Túnel ou contorno
Divergências políticas a parte, a discussão técnica gira em torno de duas grandes alternativas para resolver o problema do Morro dos Cavalos: a construção de um túnel, já com projeto aprovado e licença ambiental, e a criação de um contorno viário.
O deputado Pedro Uczai explicou que, enquanto o túnel tem um custo elevado, o contorno seria mais barato, mas enfrentaria desafios como questões ambientais, indenizações e o tempo de execução. Para ele, ambas as alternativas precisam ser tratadas como opções viáveis e urgentes.
“Não me oponho a nenhum dos projetos, mas a questão é a prioridade. A obra precisa acontecer. Se o túnel já está pronto, com licença ambiental e estudos concluídos, por que não começar por ele?”, afirmou. No entanto, ele também reconhece que o contorno pode ser uma solução, embora mais demorada devido às questões burocráticas.
O deputado estadual Tiago Zilli (PSDB), também ouvido sobre o tema, se posiciona de forma semelhante. Ele afirmou que, apesar de ser um projeto caro, o túnel é a solução mais adequada para Santa Catarina, principalmente por sua importância econômica.
“Santa Catarina merece um projeto de grande porte como o túnel. O custo é alto, mas o Estado não pode abrir mão de uma obra dessa magnitude”, declarou Zilli, ressaltando que o Morro dos Cavalos é um ponto estratégico para a economia.
Renovação da concessão e a inclusão da obra no contrato da CCR
Outro ponto que será discutido na reunião é a renovação da concessão da BR-101, atualmente sob a responsabilidade da Arteris. Uczai trouxe à tona a possibilidade de incluir o Morro dos Cavalos como uma obra prioritária no contrato de concessão da CCR, empresa responsável pelo trecho da rodovia no sul do estado.
Ele defende que, se a renovação da concessão for aprovada, a Arteris ou outra concessionária precisa assumir o compromisso de resolver o problema do Morro dos Cavalos.
“Se a concessão for renovada, o Morro dos Cavalos deve ser incluído como uma prioridade. Caso a Arteris não esteja disposta a tratar isso com a urgência necessária, podemos discutir com a CCR ou outra empresa”, explicou Uczai.
Além disso, Uczai sugeriu a adoção do modelo de pedágio por distância, o sistema “free flow”, que garantiria uma cobrança mais justa, dependendo do percurso percorrido. “Por que não cobrar pedágio pela distância percorrida? Quem anda menos, paga menos”, afirmou o deputado.
O Morro dos Cavalos é um dos trechos mais saturados da BR-101. Durante o fim de ano, mais de 2 milhões de veículos circulam por ali, o que aumenta o risco de acidentes e cria grandes congestionamentos.

Renovação da concessão e a inclusão da obra no contrato da CCR





