O primeiro feminicídio de 2026 foi registrado na madrugada de quinta-feira (1). Uma mulher foi assassinada à facadas após defender outra mulher e sua filha de um homem que tentou agredi-las. O suspeito fugiu e, até a manhã desta sexta-feira (2), não foi localizado. O caso aconteceu em São João Batista, na Grande Florianópolis. Também no dia 1º, uma tentativa de feminicídio foi registrada em Lages: um homem foi preso após tentar jogar o carro em que estava, com sua mulher e filha, contra um caminhão.
Mulher trans morta a facadas em SC defendeu amiga de agressor
Segundo a PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), a mulher assassinada é Stephanny Cassiana da Silva, de 40 anos, natural de Goiana, em Pernambuco. Ela estava celebrando o Ano-Novo na casa de sua amiga, de 53 anos. Na residência, também estavam o companheiro da mulher, de 41 anos, e a filha dela, de 29. Todos eles trabalhavam em uma fábrica de calçados do município.
Foi quando, por volta das 5h da manhã, o companheiro da amiga começou a ofender a parceira verbalmente. Conforme relato da PMSC, ele estava bêbado. A discussão rapidamente evoluiu e a filha da mulher, que tentou intervir na briga, foi empurrada pelo agressor.
Helicóptero dos bombeiros foi acionado para tentar levar mulher trans morta a facadas em SC para hospital maior, mas Stephanny morreu antes
Stephanny, então, conseguiu retirar sua amiga e a filha dela do local, e se trancou na residência com o agressor, em uma tentativa de acalmá-lo. O suspeito, porém, a agrediu com dez facadas na região do peito, cabeça e costas.
Ao ouvirem gritos, mãe e filha retornaram à casa e encontraram Stephanny consciente, mas gravemente ferida e o homem, sentado no sofá, segurando a arma do crime.
A PMSC foi chamada, mas o homem suspeito de esfaquear Stephanny fugiu do local. A polícia iniciou o protocolo de atendimento, acionou o Samu e encaminhou a vítima ao Hospital Monsenhor José Locks. Ela, porém, morreu quando chegou ao local.

Caso é enquadrado como feminicídio
O caso está sendo enquadrado e investigado como feminicídio. A polícia realiza buscas pela região para tentar encontrar o homem suspeito de esfaquear e matar Stephanny.
Em 2021, de forma consolidada, o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) passou a considerar que a proteção integral às mulheres instituídas pela Lei Maria da Penha também se estende à mulheres transgênero — isso porque a lei mantém a interpretação jurídica da violência de gênero, também sofrida por mulheres não cisgênero.
Entretanto, decisões judiciais que reconhecem essa circunstância já existem no Brasil desde 2010. Em 2025, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, de forma unânime, que os dispositivos na Lei Maria da Penha também se aplicam a casais homoafetivos, mulheres transgênero e travestis.
Palavras-chaveCaso é enquadrado





