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Jovem designer de Imbituba leva coleção criada na Udesc para a London Fashion Week Eventos

Jovem designer de Imbituba leva coleção criada na Udesc para a London Fashion Week

20-08-2026 há 7 horas

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Alguns sonhos começam muito antes de receberem um nome. Para Julia Possenti, de 23 anos, a criatividade apareceu ainda na infância, entre desenhos, histórias inventadas, música e dança. Anos depois, aquela menina que encontrava na arte uma forma de se expressar prepara-se para levar uma criação própria a um dos maiores palcos internacionais da moda.

Natural de Imbituba, no Sul de Santa Catarina, Julia terá uma criação da coleção Éther, desenvolvida como trabalho de conclusão do curso de Moda da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), apresentada na London Fashion Week, em setembro.

A participação marca uma nova etapa de uma trajetória que começou de maneira despretensiosa e foi sendo construída entre formação acadêmica, produção de conteúdo, comunicação, música e experiências internacionais.

“Eu acho que a arte sempre esteve inserida na minha vida de diversas formas. Desde bebê, nas minhas brincadeiras, eu estava sempre fazendo alguma coisa que envolvesse arte. Eu amava ouvir e criar histórias com os meus brinquedos e sempre fui muito incentivada a desenvolver a criatividade”, conta Julia.


Foto: Arquivo pessoal / Julia Possenti

Na adolescência, a música ganhou espaço. Ela se tornou vocalista e líder de uma banda de rock, experiência que a colocou diante de diferentes públicos e também despertou uma percepção que seria importante para sua relação com a moda.


Foto: Arquivo pessoal / Julia Possenti

Para Julia, a comunicação não estava apenas nas palavras ou nas músicas. A maneira de se vestir, de se comportar e de ocupar o palco também transmitia mensagens.

Foi durante a pandemia, quando a rotina de apresentações musicais diminuiu, que o interesse pela moda ganhou força. Aos 17 anos, Julia começou a produzir conteúdo para a internet sobre o assunto. O que inicialmente era uma forma de compartilhar opiniões e referências acabou se transformando em uma possibilidade profissional.

“Foi uma decisão, naquela tarde, entediada na pandemia, de gravar um conteúdo despretensioso que me trouxe até aqui agora, seis anos depois, praticamente”, relembra.

A escolha pela graduação em Moda veio pouco depois. Na Udesc, a jovem encontrou uma formação que ampliou sua compreensão sobre o setor e mostrou que a moda poderia ser muito mais do que roupas.

“Percebi que moda não era fútil. É comportamento, é comunicação, é consumo, são negócios. Todo mundo está envolvido com moda de alguma forma”, explica.

Uma coleção sobre contrastes


Foto: Arquivo pessoal / Julia Possenti

Foi dentro da universidade que Julia começou a desenvolver a Éther. O projeto nasceu a partir do tema da transitoriedade e foi ganhando novos significados durante o processo criativo.

A coleção trabalha principalmente com a ideia de dualidade e contraste, representada pela relação entre Sol e Lua e pelo fenômeno do eclipse. Para a designer, a escolha também carrega uma dimensão pessoal.

“Acho que a minha coleção é exatamente sobre trazer isso: que essas dualidades, que mundos opostos, podem, sim, se combinar e se complementar muito bem”, afirma.

A inspiração dialoga com diferentes momentos de sua própria trajetória. A energia mais intensa associada ao rock e à experiência nos palcos passou a coexistir com uma estética mais delicada encontrada na moda.

Música, cinema, cultura pop, dança e referências do cotidiano também fizeram parte da construção do projeto. Entre suas influências estão nomes como Vivienne Westwood e Elsa Schiaparelli, além de artistas e bandas que fizeram parte de sua formação cultural.

A Éther foi apresentada em novembro de 2025 durante o OCTA, desfile de formatura do curso de Moda da Udesc. O que parecia ser a conclusão de uma etapa acadêmica, porém, acabou se transformando no começo de outra história.

Da sala de aula para Londres

Poucos dias depois da apresentação da coleção, Julia embarcou para os Estados Unidos para trabalhar na The Walt Disney Company. Foi justamente durante esse período que recebeu a notícia de que uma de suas criações havia sido selecionada para integrar uma proposta de moda inclusiva da Bullock Inclusion, com apresentação prevista para a London Fashion Week.

“Eu recebi a notícia no dia que estava indo embarcar para a Disney. Foi uma turbulência de emoções, eram muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo”, conta.


Foto: Arquivo pessoal / Julia Possenti

A experiência em Londres terá ainda um significado especial para a coleção. Para o desfile, Julia está adaptando uma das peças da Éther para uma modelo que utiliza uma prótese no braço.

A proposta fez com que a designer repensasse a peça não apenas sob o ponto de vista visual, mas também funcional. A intenção é que a prótese seja incorporada à estética da criação, em vez de ser tratada como algo que precisa ser escondido.

“É muito importante pensar como aquela peça se adapta a diferentes corpos e como continua sendo útil, sem enxergar a deficiência ou a prótese como algo ruim. É algo que pode ser abraçado, transformado e destacado”, explica.

Para ela, essa etapa acrescentou uma camada ainda mais significativa ao trabalho desenvolvido na universidade.

A experiência também mudou a forma como Julia enxerga a própria profissão. A moda, que já era entendida por ela como comunicação, passou a ser observada também pela perspectiva da inclusão e da necessidade de criar para diferentes corpos e realidades.

Uma catarinense entre grandes experiências

Antes mesmo de chegar a Londres, Julia já havia vivido uma experiência profissional fora do Brasil. Nos Estados Unidos, trabalhou no complexo da Disney na área de Merchandise, passando por mais de 20 lojas e tendo contato com visitantes de diferentes partes do mundo.

A experiência ampliou sua visão sobre comunicação, atendimento, experiência de marca e gestão.

“Foi minha primeira grande experiência internacional profissional e isso me fez enxergar que existem muitas portas lá fora que podem trazer milhões de oportunidades que às vezes a gente nem imagina”, relata.

Durante a passagem pela empresa, ela também teve contato com uma cultura de trabalho baseada em excelência, protagonismo e atenção à experiência do público.

Para a designer, esse aprendizado passou a fazer parte da maneira como imagina seu próprio futuro profissional na moda.

Mas a trajetória acadêmica também foi construída para além da sala de aula. Julia participou da Empresa Júnior de Design e Moda da Udesc, onde passou por diferentes funções até chegar à direção. Também atuou no Núcleo Floripa, na área de negócios, e trabalhou com comunicação estratégica na Prefeitura de Florianópolis.

A combinação entre moda, comunicação, marketing e criação de conteúdo acabou se tornando uma característica de sua formação.

Do litoral catarinense para o mundo

Julia cresceu em Imbituba e deixou a cidade para estudar em Florianópolis. A mudança ampliou suas possibilidades, mas a origem continua presente em sua história.

A jovem reconhece que, para quem nasce em uma cidade menor, alguns caminhos podem parecer mais distantes. Mas ela afirma que nunca encarou isso como motivo para abandonar grandes objetivos.

“Eu me considero muito otimista, muito sonhadora. É mais sobre encontrar uma maneira de como isso vai dar certo”, afirma.

Para ela, sonhar é apenas o primeiro passo. O restante envolve planejamento, estudo, curiosidade e disposição para aproveitar oportunidades.

“Não é somente ficar sonhando, visualizando e sem traçar planos, metas e entender como se pode ir subindo os degraus aos poucos”, acrescenta.


Foto: Arquivo pessoal / Julia Possenti

Agora, a expectativa é que a apresentação em Londres ajude a ampliar sua rede de contatos e abrir novos caminhos profissionais. Mais do que alguns minutos na passarela, Julia pretende observar o que acontece nos bastidores de uma semana de moda internacional, conhecer profissionais, entender processos e registrar a experiência também por meio da produção de conteúdo.

“Eu espero ser reconhecida enquanto designer, mas também realizar grandes conexões, entender o que acontece por trás de uma Fashion Week e como a indústria da moda funciona de uma forma mais global”, afirma.

Um sonho que ainda está começando

Apesar do tamanho da oportunidade, Julia não enxerga Londres como uma chegada. Para ela, a apresentação representa o início de uma etapa.

Aos 23 anos, recém-formada e com uma trajetória que já passou por Santa Catarina, pelos Estados Unidos e agora chega à Inglaterra, a designer ainda se vê como alguém em construção.

A menina que cresceu em Imbituba, que encontrou na música uma forma de se expressar, que começou a produzir vídeos durante uma pandemia e que decidiu transformar a criatividade em profissão agora vê uma criação sua atravessar o oceano.

“Eu gostaria de falar para a minha eu de 17 anos: tenha coragem para acreditar em si e no seu próprio potencial”, diz.


Foto: Arquivo pessoal / Julia Possenti

A mensagem, porém, não fica restrita à Julia do passado. Ela também se dirige a outros jovens que ainda estão tentando descobrir onde seus próprios talentos podem levá-los.

“Quantos talentos a gente pode ter escondidos em Imbituba, em outras cidades pequenas, e que têm potencial para chegar tão longe quanto eu estou começando a chegar?”, questiona.

Para a designer, a resposta passa por se permitir tentar.

A coleção que agora se prepara para chegar a Londres começou muito antes de existir como tecido, modelagem ou desfile. Começou com uma criança criando histórias, uma adolescente cantando em um palco e uma jovem que, durante uma tarde entediante de pandemia, decidiu apertar o botão de gravar.

E foi daquele primeiro passo, aparentemente pequeno, que surgiu um caminho que hoje aponta para uma das capitais mundiais da moda.

Palavras-chave
das capitais mundiais da moda.



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