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Bilhetes revelam ‘encomendas’ de até R$ 10 mil para enfermeiro levar celulares a presos em SC Polícia

Bilhetes revelam ‘encomendas’ de até R$ 10 mil para enfermeiro levar celulares a presos em SC

22-09-2026 há 13 horas

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Celulares escondidos, encomendas feitas por bilhetes e até instruções para que presos fossem chamados ao atendimento médico. É assim que a investigação descreve o suposto esquema envolvendo um enfermeiro que trabalhava no sistema prisional de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. O profissional foi denunciado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) nesta terça-feira (22).Segundo a denúncia, o enfermeiro teria usado o acesso ao setor de saúde para entregar eletrônicos a integrantes de duas facções criminosas rivais. A investigação aponta que o esquema funcionou entre abril e agosto deste ano e envolvia celulares, chips, carregadores, smartwatches e outros equipamentos. O investigado está preso preventivamente.

Bilhetes entregavam detalhes do esquema

Parte das suspeitas surgiu a partir de manuscritos atribuídos a presos. Nos papéis, havia pedidos de celulares com WhatsApp, chips de diferentes operadoras, carregadores e outros acessórios.Os bilhetes não indicavam apenas o que deveria ser comprado. Alguns também traziam instruções sobre como os equipamentos deveriam chegar aos detentos sem serem encontrados durante a fiscalização.

Em um dos casos, a orientação seria para que o enfermeiro chamasse um determinado preso para atendimento médico e aproveitasse o momento para fazer a entrega.

Outro recado mencionava que os envelopes levados pelo profissional chegariam lacrados aos destinatários. 

Uma remessa poderia custar R$ 10 mil

Os manuscritos também ajudaram os investigadores a identificar os valores que estariam envolvidos nas entregas.

Conforme a denúncia, havia referências a pagamentos de até R$ 10 mil por remessa de aparelhos eletrônicos.

Os contatos não ficariam restritos aos presos. Alguns bilhetes orientavam o enfermeiro a procurar familiares ou outras pessoas ligadas aos detentos que estavam fora do presídio para combinar a entrega dos equipamentos e o pagamento.

Cinco smartwatches e celulares foram apreendidos

A investigação ganhou outro elemento durante uma busca na residência do enfermeiro.

No local, foram encontrados três celulares, cinco smartwatches, carregadores, placas eletrônicas e diversos cartões SIM. Segundo o MPSC, os equipamentos eram novos e não apresentavam sinais de uso.

Também foram recolhidos manuscritos com pedidos e orientações relacionados à compra e entrega dos aparelhos.

Para os investigadores, o conjunto dos materiais reforça a suspeita de que os eletrônicos seriam destinados aos presos.

Enfermeiro;Investigação aponta que atendimentos na área da saúde poderiam ser usados para facilitar a entrada dos equipamentos na unidade.

Duas facções aparecem na investigação

Uma das novidades da denúncia em relação ao início do caso é a indicação de que o enfermeiro não teria atendido apenas integrantes de um grupo criminoso.Segundo a investigação, ele teria fornecido os equipamentos, de forma independente, para integrantes de duas facções criminosas rivais.

Relatos de integrantes desses grupos, obtidos por meio de acordos de colaboração premiada, teriam ajudado a investigação a chegar ao profissional e a reconstruir como as entregas funcionariam.

Presos demonstravam medo de que esquema fosse descoberto

Os bilhetes também mostram que havia preocupação entre os envolvidos com a possibilidade de alguém denunciar o esquema.

Em um dos recados, um preso teria tentado tranquilizar o enfermeiro sobre possíveis denúncias. A mensagem ainda faria referência a outras ocasiões em que o profissional teria ajudado detentos, inclusive por meio de atendimentos na área da saúde.A investigação considera esses registros um indício de que havia uma relação de confiança entre o enfermeiro e os presos envolvidos.

Suspeita começou com celulares e drogas

O caso veio a público em agosto, quando a Operação Cura foi deflagrada para investigar a possível utilização da função profissional para favorecer integrantes de uma organização criminosa dentro do Complexo Prisional de Chapecó.

Naquele momento, a suspeita era de que celulares e drogas poderiam estar entrando na unidade por meio da atividade do enfermeiro.

Uma busca foi realizada na casa do investigado, e o material apreendido passou a ser analisado durante a investigação.

Agora, com a denúncia apresentada pelo MPSC, surgiram detalhes sobre os pedidos feitos pelos presos, os valores envolvidos e a forma como os equipamentos teriam sido levados para dentro da unidade.

Complexo Prisional de Chapecó é alvo de investigação sobre a entrada clandestina de eletrônicos destinados a detentos.Foto: Willian Ricardo/ND MaisComplexo Prisional de Chapecó é alvo de investigação sobre a entrada clandestina de eletrônicos destinados a detentos.

Enfermeiro segue preso preventivamente

O profissional permanece preso preventivamente enquanto o caso tramita na Justiça.

A denúncia ainda descreve suspeitas investigadas pelo Ministério Público, e a responsabilidade criminal do enfermeiro deverá ser definida no processo judicial.

O enfermeiro permanece preso preventivamente enquanto o caso tramita na Justiça.Foto: Lajk/@LajkSrbija/Pinterest/ND MaisO                      enfermeiro permanece preso preventivamente enquanto o caso tramita na Justiça. 

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