Celulares escondidos, encomendas feitas por bilhetes e até instruções para que presos fossem chamados ao atendimento médico. É assim que a investigação descreve o suposto esquema envolvendo um enfermeiro que trabalhava no sistema prisional de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. O profissional foi denunciado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) nesta terça-feira (22).Segundo a denúncia, o enfermeiro teria usado o acesso ao setor de saúde para entregar eletrônicos a integrantes de duas facções criminosas rivais. A investigação aponta que o esquema funcionou entre abril e agosto deste ano e envolvia celulares, chips, carregadores, smartwatches e outros equipamentos. O investigado está preso preventivamente.
Bilhetes entregavam detalhes do esquema
Parte das suspeitas surgiu a partir de manuscritos atribuídos a presos. Nos papéis, havia pedidos de celulares com WhatsApp, chips de diferentes operadoras, carregadores e outros acessórios.Os bilhetes não indicavam apenas o que deveria ser comprado. Alguns também traziam instruções sobre como os equipamentos deveriam chegar aos detentos sem serem encontrados durante a fiscalização.
Em um dos casos, a orientação seria para que o enfermeiro chamasse um determinado preso para atendimento médico e aproveitasse o momento para fazer a entrega.
Outro recado mencionava que os envelopes levados pelo profissional chegariam lacrados aos destinatários.
Uma remessa poderia custar R$ 10 mil
Os manuscritos também ajudaram os investigadores a identificar os valores que estariam envolvidos nas entregas.
Conforme a denúncia, havia referências a pagamentos de até R$ 10 mil por remessa de aparelhos eletrônicos.
Os contatos não ficariam restritos aos presos. Alguns bilhetes orientavam o enfermeiro a procurar familiares ou outras pessoas ligadas aos detentos que estavam fora do presídio para combinar a entrega dos equipamentos e o pagamento.
Cinco smartwatches e celulares foram apreendidos
A investigação ganhou outro elemento durante uma busca na residência do enfermeiro.
No local, foram encontrados três celulares, cinco smartwatches, carregadores, placas eletrônicas e diversos cartões SIM. Segundo o MPSC, os equipamentos eram novos e não apresentavam sinais de uso.
Também foram recolhidos manuscritos com pedidos e orientações relacionados à compra e entrega dos aparelhos.
Para os investigadores, o conjunto dos materiais reforça a suspeita de que os eletrônicos seriam destinados aos presos.
Investigação aponta que atendimentos na área da saúde poderiam ser usados para facilitar a entrada dos equipamentos na unidade.
Duas facções aparecem na investigação
Uma das novidades da denúncia em relação ao início do caso é a indicação de que o enfermeiro não teria atendido apenas integrantes de um grupo criminoso.Segundo a investigação, ele teria fornecido os equipamentos, de forma independente, para integrantes de duas facções criminosas rivais.
Relatos de integrantes desses grupos, obtidos por meio de acordos de colaboração premiada, teriam ajudado a investigação a chegar ao profissional e a reconstruir como as entregas funcionariam.
Presos demonstravam medo de que esquema fosse descoberto
Os bilhetes também mostram que havia preocupação entre os envolvidos com a possibilidade de alguém denunciar o esquema.
Em um dos recados, um preso teria tentado tranquilizar o enfermeiro sobre possíveis denúncias. A mensagem ainda faria referência a outras ocasiões em que o profissional teria ajudado detentos, inclusive por meio de atendimentos na área da saúde.A investigação considera esses registros um indício de que havia uma relação de confiança entre o enfermeiro e os presos envolvidos.
Suspeita começou com celulares e drogas
O caso veio a público em agosto, quando a Operação Cura foi deflagrada para investigar a possível utilização da função profissional para favorecer integrantes de uma organização criminosa dentro do Complexo Prisional de Chapecó.
Naquele momento, a suspeita era de que celulares e drogas poderiam estar entrando na unidade por meio da atividade do enfermeiro.
Uma busca foi realizada na casa do investigado, e o material apreendido passou a ser analisado durante a investigação.
Agora, com a denúncia apresentada pelo MPSC, surgiram detalhes sobre os pedidos feitos pelos presos, os valores envolvidos e a forma como os equipamentos teriam sido levados para dentro da unidade.
Complexo Prisional de Chapecó é alvo de investigação sobre a entrada clandestina de eletrônicos destinados a detentos.
Enfermeiro segue preso preventivamente
O profissional permanece preso preventivamente enquanto o caso tramita na Justiça.
A denúncia ainda descreve suspeitas investigadas pelo Ministério Público, e a responsabilidade criminal do enfermeiro deverá ser definida no processo judicial.
O enfermeiro permanece preso preventivamente enquanto o caso tramita na Justiça.
enfermeiro permanece preso preventivamente





