A presença de uma intensa coloração avermelhada na água do mar voltou a chamar a atenção de moradores e visitantes em praias de Garopaba. O fenômeno, conhecido popularmente como “maré vermelha”, foi registrado na
Praia Central e na Praia do Siriú e motivou uma investigação de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Conforme reportagem, uma equipe do Laboratório de Ficologia da UFSC esteve em Garopaba na última quinta-feira (2) para realizar coletas diretamente na água e identificar a espécie responsável pela alteração na coloração do mar, além de compreender as causas da ocorrência.
As análises preliminares apontam que o fenômeno está relacionado à proliferação da espécie Aglaothamnion uruguayense, uma alga filamentosa de coloração vermelha. Segundo informações pelo professor José Bonomi Barufi, do Laboratório de Ficologia da UFSC, trata-se de uma floração de algas, processo caracterizado pelo crescimento acelerado de uma única espécie.

Ainda de acordo com o pesquisador, esse tipo de ocorrência costuma estar associado a desequilíbrios ambientais, podendo ser favorecido por fatores como aumento da concentração de nutrientes na água, poluição e alterações na temperatura do ambiente marinho. O professor também informou que, até o momento, não há registros de que a espécie identificada apresente efeitos tóxicos conhecidos para seres humanos ou animais.
Outro aspecto destacado na reportagem é o papel da maré vermelha como um importante indicador da qualidade ambiental. Conforme explicou o biólogo Henrique Almeida, o surgimento desse tipo de floração pode sinalizar alterações nas condições do ecossistema, funcionando como um bioindicador de que o ambiente atravessa um período de desequilíbrio.
Entre as possíveis causas apontadas pelo especialista estão mudanças bruscas nas características da água, descarte inadequado de esgoto, excesso de resíduos e outras alterações químicas provocadas pela atividade humana, além da intensa circulação de pessoas em determinadas áreas.

Embora o fenômeno registrado em Garopaba esteja relacionado a uma espécie sem toxicidade conhecida, especialistas alertam que florações de outras microalgas podem representar riscos à saúde pública e ao meio ambiente. Conforme explicou Henrique Almeida, algumas espécies são capazes de produzir toxinas que provocam sintomas como irritações na pele e nos olhos, além de náuseas, vômitos e diarreia.
Materialde referência geográfica
Essas toxinas também podem contaminar organismos marinhos, afetando a cadeia alimentar, a atividade pesqueira e o consumo de peixes e frutos do mar provenientes de áreas atingidas.

Os primeiros registros da água avermelhada surgiram em vídeos gravados no dia 19 de fevereiro e compartilhados nas redes sociais. A repercussão das imagens levou pesquisadores da UFSC a realizarem a visita técnica para coleta de material e análise do fenômeno.
Segundo o professor José Bonomi Barufi, em informações repassadas , esta não é a primeira vez que a espécie é identificada na região. Em 2014, a mesma alga já havia sido registrada na Praia Central de Garopaba. Agora, além da recorrência no trecho central, os pesquisadores também confirmaram a presença da floração na Praia do Siriú.

A equipe da UFSC informou ainda que pretende dar continuidade aos estudos sobre a ocorrência, que, conforme os pesquisadores relataram, ainda não possui registros semelhantes envolvendo essa espécie em outras partes do mundo.
Palavras-chaveoutras partes do mundo.





